Novas drogas estabilizam depressão a curto prazo

Estima-se que 8% dos brasileiros são acometidos pelo mal do século. No mundo, já são 350 milhões de pessoas que sofrem de depressão, doença caracterizada por desmotivação, desinteresse e tristeza e que afeta diretamente o trabalho e a vida social de pessoas. Mas não somente isso.

A psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), destaca que os sinais da depressão não ocorrem repentinamente, mas vão evoluindo até uma queda mais marcante do diagnóstico. “Surge uma vontade de não fazer nada. A pessoa não dorme bem, perde gradativamente o prazer nas coisas, tem pensamentos pessimistas e sentimento de incapacidade. Pode ter somatização física, como alteração cardíaca, na pressão arterial, no sistema imunológico, dores. Tudo isso complica muito a vida, principalmente quando entra em um grau muito alto”, diz.

As mulheres são mais suscetíveis e deprimem-se duas vezes mais que os homens, devido a uma influência hormonal também. Por outro lado, a psiquiatra Alexandrina destaca que o sexo masculino tem mais complicações físicas, pois não demonstram tanto as emoções e somatizam muito.

Para conter o problema e tratá-lo da melhor forma, vários estudos estão em desenvolvimento para encontrar drogas que encurtem os sintomas depressivos. Da mesma forma, pesquisas reforçam cada vez mais a importância de uma dieta rica em alimentos que ajudem a reduzir a chance de desenvolver a depressão.

Estudo norte-americano publicado no mês passado na revista Molecular Psychiatry, da Nature, divulgou resultados animadores para uma droga em estudo, a lanicemina. A droga compara-se à ação benéfica de outro composto, a cetamina, mas está isenta dos efeitos colaterais apresentados por este último, como o desnorteamento espacial.

O que se espera com a lanicemina é que ela conseguir reduzir o tempo para estabilizar o paciente, já que, diferente do efeito imediato da cetamina, demora o mesmo período que outros medicamentos usuais, ou seja, cerca de 15 dias. Com isso, a expectativa é não somente reduzir a resistência ao tratamento, mas também diminuir o sofrimento de pessoas com depressão e até casos de suicídios.

“O que a ciência e todos nós queremos é a melhora mais rápida do paciente. Como essa resposta mais imediata, o paciente sofrerá menos tempo, melhorando os sintomas apresentados e também diminuindo o risco de suicídio, pois é grande a possibilidade”, diz a psiquiatra da ABP.

Prevenção no prato

Outro estudo recente, mas relacionado à alimentação, foi produzido por espanhóis e publicado na revista BMS Medicine, de Londres. Ele sugere que uma refeição diferenciada com alimentos que compõem a dieta mediterrânea são capazes de reduzir até 40% o risco de desenvolver a depressão.

Foram quase quatro mil voluntários, acompanhados durante três anos, inclusive por nutricionistas que elaboraram dietas personalizadas. Um dos grupos, que incluía uma modificação alimentar mais completa, mostrou essa queda benéfica a longo prazo.

Entre as recomendações estão o uso de azeite, aumento no consumo de frutas, verduras, legumes, peixe e outras carnes brancas, redução na ingestão de carne vermelha, uso de molhos de tomate caseiros, valorizando o uso de especiarias e ervas frescas, eliminação do consumo de álcool, com exceção ao vinho tinto, moderadamente, e ainda tirar das refeições a manteiga, os “fast food”, doces e bebidas açucaradas.

Dieta só ajuda antes

O médico nutrólogo José Alves Lara, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professor do curso nacional de pós-graduação em Nutrologia na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, ressalta que nenhum alimento, sozinho ou em excesso, proporcionará um resultado positivo no estado emocional, principalmente se a doença já estiver instalada. Mas antes da manifestação da depressão, uma dieta aos moldes da mediterrânea pode evitar que o quadro da doença seja deflagrada.

“Os alimentos garantem um bom funcionamento do sistema nervoso, mas uma dieta é muito melhor pelo que não se come do que pelo que se come. Temos tudo e muito mais do mediterrâneo. Mas se há excesso de carboidratos, por exemplo, que transformam-se em açúcares, teremos maior captação de glicose, resultando na hipoglicemia, o que pode desencadear um processo de depressão”, informa o médico nutrólogo.

A orientação de Lara é que sejam feitas correções na dieta adotada para enriquecer os nutrientes, pois não é possível igualar a alimentação de outros países. O profissional também reforça que a média de consumo de alimentos que previnem os sintomas da depressão devem ser sem excessos e incorporados às refeições.

“O ideal é comer pouco todo dia, respeitando a alimentação. Esse é o segredo dos alimentos funcionais, já que captam os efeitos dos nutrientes adicionados com regularidade”, diz Lara.

 

Elen Valereto – Diário da Região

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