No litoral de SP: Turista chama guarda de ‘macaco’ e pede perdão para tentar não ser preso

O agente foi insultado mais de uma vez durante a abordagem. Mesmo com o pedido de desculpas, suspeito acabou detido em flagrante. Fiança foi arbitrada em R$ 10 mil.

Um turista de Diadema/SP, de 18 anos, foi preso em flagrante após chamar um guarda civil municipal de ‘macaco’ em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo informações confirmadas pela imprensa nesta quarta-feira (4), o delegado Alexandre Correa Comin arbitrou a fiança de dez salários mínimos, cerca de R$ 10 mil, para que o suspeito respondesse em liberdade, mas a quantia não foi apresentada.

O caso ocorreu no bairro Vila Caiçara. O guarda civil municipal, de 43 anos, que prefere não ser identificada, explicou que estava em patrulhamento junto com outro agente, no momento em que passaram e avistaram um “aglomerado” de aproximadamente 30 pessoas, entre a Avenida Presidente Castelo Branco e a Rua Nossa Senhora da Praia Grande. Segundo ele, é comum que menores infratores se reúnam naquele local para praticar furtos.

Diante da suspeita, ele acionou outras equipes de GCM e realizou a abordagem do grupo. Em revista pessoal, nada de ilícito foi encontrado, no entanto, alguns deles estavam transitando com bicicletas na calçada, ação proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro. Os agentes apreenderam os veículos e, a partir disso, alguns deles passaram a ofender os guardas.

Quando eles estavam a aproximadamente 20 metros de distância, uma pessoa jogou uma pedra no pé do guarda, que se virou. Nesse momento, o jovem de 18 anos o chamou de ‘macaco’. “Por três vezes ele me xingou. Como tinha muita gente me auxiliando, consegui me conter e achamos por bem deixar para lá”, afirma.

Ele continuou em patrulhamento pelas proximidades e, após 30 minutos, observou um novo tumulto no mesmo local. “Um veículo passava pelo local e arrumou confusão com aquele grupo. Retornei a viatura e, quando cheguei, vi o autor junto com o sobrinho no meio da agitação. O familiar dele até confirmou que o rapaz me ofendeu”. Gabriel foi encaminhado para a Delegacia Sede de Praia Grande, onde foi autuado por injúria racial, que estabelece pena de 1 a 3 anos de prisão e multa.

Segundo o guarda, ele já passou por situações semelhantes a essa durante os 15 anos em que atua na área. “Muitas vezes eles pedem desculpas porque sabem que a situação vai complicar. Esse rapaz pediu perdão para não ficar preso, mas eu não senti que foi sincero. Eu não sei se a palavra é chateado ou triste. Fico um pouco transtornado porque, em pleno século 21, as pessoas ainda pensam desse jeito”, finaliza.

FONTE: Informações | G1/ João Paulo de Castro

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