Nesta sexta, Rede Panapanã discute juventude e resistência no FLIV

Bate-papo recebe mulheres que lutaram contra a ditadura militar, às 15h30, no Galpão FLIV

Um dos destaques da programação desta sexta-feira (27/10) na 6ª edição do FLIV – Festival Literário de Votuporanga é o bate-papo “Juventude e Resistência”, que acontece às 15h30, no Galpão FLIV. Promovida pela Rede Panapanã de Mulheres do Noroeste Paulista, a atividade contará com a participação de Criméia de Almeida e Amelinha Teles, duas importantes personagens da luta pelos direitos das mulheres durante a ditadura militar.

A conversa também reunirá os professores Paulo Stipp e Sylvia Okimoto e contará com a mediação de Ligia Pontes, integrante da Rede Panapanã. Durante o bate-papo, além de ter a oportunidade de entrar em contato com o relato de mulheres que lutaram contra a ditadura e em defesa da democracia, o público também poderá conhecer a perspectiva de estudantes e professores diante do atual contexto brasileiro de reformas na educação.

Amelinha Teles

Amelinha Teles é “feminista histórica”. Ex-presa política na época da ditadura militar, ainda é ativista política e de direitos humanos. Fundadora e diretora da União de Mulheres de São Paulo desde 1981, atualmente é assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.

Amelinha compõe a Coordenação Estadual das Promotoras Legais Populares de São Paulo desde 1994 e é autora dos livros: “O que é violência contra a mulher”; “Os Cursos de Direito sob a perspectiva de Gênero; “O que são direitos humanos das mulheres” e “Breve História do Feminismo no Brasil”, em co-autoria com Monica de Melo.

Criméia de Almeida

Irmã de Amelinha Teles, Criméia de Almeida é da União de Mulheres de São Paulo, militante dos Familiares dos Desaparecidos Políticos e ex-guerrilheira no Araguaia. Foi torturada mesmo estando grávida de sete meses.

Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva”, na Assembleia Legislativa de São Paulo, Criméia contou que um suposto médico acompanhava suas torturas. “Ele dizia: ela aguenta a tortura nos pés e nas mãos, só não pode espancar a região da barriga.” Continuou sendo torturada até dar à luz a seu filho, ainda que sob constantes ameaças dos militares de que ele não sobreviveria. Após o parto, Criméia foi impedida de vê-lo e só pôde recuperá-lo 53 dias depois de seu nascimento, desnutrido e dopado.

Em 2005, Criméia e seus familiares moveram uma ação declaratória contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi na época da ditadura, responsabilizando-o pelas torturas sofridas. Três anos depois, a Justiça de São Paulo acatou a ação e Ustra se tornou o primeiro agente da ditadura a ser declarado torturador. Em 2012, ele teve seu recurso negado.

Criméia mantém sua atuação política por meio da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. É uma das presas políticas depoentes do filme “Que bom te ver viva”, da cineasta e ex-presa política Ana Murat.

A Rede Panapanã

A Rede Panapanã de Mulheres do Noroeste Paulista foi fundada em Votuporanga, em março de 2016. “Panapanã” é um substantivo feminino de origem indígena (tupi), que significa “um bando de borboletas ou uma nuvem de borboletas em migração”, e significa, para o grupo, a transformação, a liberdade, a diversidade, e a beleza enquanto essência e não aparência. É uma Rede apartidária, que visa defender e lutar pelos direitos das mulheres enquanto direitos humanos e ainda contra qualquer tipo de exploração, opressão e discriminação por classe, raça, etnia, religião, geração, região ou nação, condição física e orientação sexual. Mais informações em facebook.com/redepanapana.

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