Nem câmeras seguram ladrões em ônibus

Armados com facas, bandidos usam a estratégia de se passam por passageiros e embarcam em pontos de ônibus em Rio Preto. A arma serve para ameaçar os motoristas, que sem alternativa são obrigados a entregar o dinheiro que fica no caixa dos coletivos. Eles levam tudo o que encontram: os valores vão entre R$ 15 e cerca de R$ 130. Implantada em 2004, a chamada bilhetagem eletrônica (cartões recarregáveis) faz com que gire pouco dinheiro durante o trajeto dos ônibus, mas nem isso é um desestímulo aos bandidos.

Câmeras de segurança instaladas nos 303 ônibus da frota desde a criação do Consórcio Riopretrans, formado pelas empresas Circular Santa Luzia e Itamarati, – em novembro de 2011 – também não são suficientes para impedir os roubos e furtos praticados dentro dos coletivos. Nos últimos quatro anos – entre 2011 e 2014 – foram registrados 132 crimes dentro de ônibus, a maioria deles, 75, na Circular Santa Luzia. Só neste ano, até o último dia 4, a soma de crimes em veículos das duas empresas de transporte coletivo foi de 14 casos.

O número já é superior ao registrado durante todo o ano em que as câmeras foram instaladas (2011), quando, de janeiro a dezembro, foram verificados 12 registros. É o que revelam os dados da Prefeitura de Rio Preto. A audácia de assaltantes que, cada vez mais, ignoram a vigilância eletrônica, roubam e colocam em risco a vida de motoristas, preocupa os profissionais. “Cada rodada é um motivo para agradecer a Deus por não ter acontecido nada. A gente não sabe quem vai entrar no ônibus. Não podemos deixar de parar no ponto só porque o sujeito tem uma cara estranha. Tem outras pessoas para subir e também a gente só vê quanto estão em cima”, afirmou W.S., 47 anos, assaltado em dezembro do ano passado.

Na ocasião, o bandido levou pouco mais de R$ 50. “A gente não pode pôr o pescoço em risco por mixaria”. Em março deste ano, L.P, 35 anos, foi obrigado a entregar cerca de R$ 130. “Quem foi assaltado tem medo. O cara aponta a faca e você não sabe a reação que ele vai ter, se está drogado ou não. Somos orientados a não reagir.”

Passageiros em risco 

Passageiros também temem pela segurança. “Da gente, os bandidos querem é o celular. Ouvi dizer que tem um garoto, moreno, menor de idade, que fica observando. Quando ele consegue pegar o celular logo escapa, sai correndo e entra em outro ônibus”, afirmou a dona de casa Diene Cristina de Oliveira, 23 anos.

A estudante Isabela Teodoro, 34 anos, conta que presenciou um assalto no último sábado, dia 2. “Eu estava sentada no primeiro banco, vi o homem apontando a faca e o motorista já entregou o dinheiro. Foi rápido, mas depois ficou uma sensação de medo a viagem toda. Nem foi comigo, só que fiquei mais atenta.”

Só um homem fez quatro assaltos

A Polícia Civil esclareceu 10 crimes praticados dentro de ônibus. Um homem de 34 anos, que não teve o nome revelado, foi preso por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). M.S.G. confessou ter praticado quatro assaltos, entre fevereiro e março, alegando que roubava para sustentar seu vício em crack. Agia na companhia de um comparsa, ainda não identificado pela polícia.

Em cumprimento a um mandado da Vara da Infância e Juventude, um menor de 15 anos foi apreendido, em março, suspeito de praticar assalto a ônibus urbano, roubos a pedestres e furtos em residências e estabelecimentos comerciais. A DIG apontou que o adolescente foi autor de 17 crimes contra o patrimônio e que ele agia em companhia de outros dois comparsas. O adolescente está na Fundação Casa. Para o delegado titular da DIG, Fernando Augusto Tedde , os bandidos veem a oportunidade de dinheiro na mão e facilidade na hora da fuga. “São crimes pouco propensos a ser presos em flagrante, porque eles descem do ônibus e já não são mais vistos. Conseguem fazer o roubo e saem com o dinheiro”, afirmou o delegado.

A Polícia Militar informou que neste ano prendeu em flagrante 10 pessoas, incluindo dois menores, acusados de assaltar ônibus munidos com facas. As prisões, segundo o comandante da PM, tenente coronel Luiz Roberto de Oliveira Vicente, ocorreram após os motoristas ou testemunhas acionarem o Copom. “A partir das descrições, a viatura mais próxima do local foi direcionada e localizou, fez revista e encontrou os suspeitos de posse do dinheiro e ainda da faca.”

Empresas ampliam o uso de cartão

Para inibir a ação dos criminosos, as empresas Circular Santa Luzia e a Itamarati equiparam os veículos com câmeras de segurança para monitorar tudo o que ocorre no interior dos ônibus. Quando um crime ocorre, as imagens são imediatamente entregues à polícia para auxiliar na identificação dos bandidos.

As duas empresas informaram que todos os veículos são monitorados por câmeras. Outra medida de segurança adotada pela Circular é o uso de cartão (bilhetagem eletrônica), implantado em 2004. “Com o intuito da minimização de dinheiro em circulação nos ônibus o que já acontece nas principais cidades do Brasil”, diz a nota.

A Itamarati está ampliando os pontos de venda para facilitar aos usuários a aquisição de créditos e maior utilização desses créditos no sistema de cartão. “Em consequência haverá redução de dinheiro dentro dos coletivos. Atualmente já estão em funcionamento cinco pontos de venda e outros dois pontos em fase de negociação para instalação”. Os motoristas do Consórcio Riopretrans estão orientados para não reagir e comunicar os crimes à polícia o mais rápido possível. Tatiana Pires/Diário da Região

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