‘Não comi, só mordi o rosto’, diz agressor de Rio Preto

“Eu não comi nada, só mordi o rosto. A orelha deve ter caído quando ela bateu com a cabeça na sarjeta”, afirmou ontem o morador de rua Roberto de Sá Júnior, 27 anos. Ele foi preso no fim de semana acusado de arrancar a dentadas parte da orelha, da bochecha e do pescoço da mulher, com quem vive há oito anos, durante uma briga na madrugada de domingo, em Rio Preto. De acordo com a Polícia Militar, ele teria comido a parte arrancada.

“Ela vai me desculpar. Nós já brigamos muito mais feio do que isso”, garantiu o acusado, em meio a um choro tímido ontem, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), preso por tentativa de homicídio. Ele acredita que ganhará o perdão da companheira. “Estava vidrado de crack. Foi por isso.” R.S.S., 30 anos, a vítima da violência, está internada no Hospital de Base, após passar por cirurgia na orelha. Como a parte arrancada não foi encontrada, a equipe de cirurgia plástica do HB explicou que apenas um processo de sutura foi feito. A agressão aconteceu na rua Prudente de Morares, Centro, região onde os dois vivem.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência afirmam, entretanto, que vasculharam o local das agressões em busca do pedaço da orelha, mas não encontraram. “Eu estou muito arrependido por tudo que eu fiz”, falou Roberto ao Diário. O ciúme teria sido o segundo motivo, além do crack, pelas agressões. “Eu a vi com outro homem e corri para dar um soco. Ela correu e eu fui atrás com tudo.”

A equipe médica informou que R.S.S. tem passagens constantes pelo hospital, com duas internações recentes. Informou também que ela é usuária de crack e tem “episódios de agressividade”, nas palavras da cirurgiã plástica que a atendeu e que preferiu ter o nome preservado. “Da outra vez em que veio para cá, tinha sido esfaqueada.”

A médica disse que não é a primeira vez que a vítima é internada após ser agredida pelo parceiro. “Pelo menos a cada três meses ele a agride e ela precisa vir para cá”. Roberto não nega. “A gente briga muito.” Para a médica, não é certeza que a orelha de R. foi arrancada por mordida. “Pode ter sido uma faca, por exemplo. Mas está faltando um pedaço”, disse. Ela explicou que a mulher só continua internada por não ter para onde ir. “Está aqui pela sua condição social”.

Pierre Duarte
Roberto, preso na DIG, crê no perdão da mulher

O casal já teria se conhecido no mundo das drogas. Ele mora na rua desde que tinha 14 anos, pelo uso do crack. Ela veio de Belém para Rio Preto há oito anos pelo mesmo motivo e tem quatro filhos que moram em São Paulo. Júnior tem passagem na polícia por tráfico e roubo e R. por roubo. Pelos crimes, ele ficou preso duas vezes. Quando roubou, tinha acabado de completar 18 anos. “Eu estava bêbado, me convidaram.”

“De tudo a gente usa”

Ele justifica que o motivo de todas essas brigas e confusões é o vício. “Pinga, crack, maconha: de tudo a gente usa”, conta Júnior. Sua família, que é de Rio Preto, já tentou interná-lo, sem sucesso. “Nunca deu certo”, diz ele, que garante ter vontade de parar. Durante o tempo em que viveu na rua, aprendeu a trabalhar como calheiro, mas gastava tudo o que ganhava em drogas. “Eu quero parar, mas não consigo”.

O homem diz não se lembrar da primeira vez em que usou o crack, pelo longo tempo de dependência, e revela que não tem esperanças de recuperação. “Meus irmãos já vieram atrás de mim, mas nunca consegui parar”. Relata que a companheira está na mesma situação que ele, e lamenta. “A gente está perdido. É droga demais.” Daniela Penha. diarioweb.com

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