qua, 12 de agosto de 2026

Namorada de brasileiro morto na guerra na Ucrânia relata ter esperança de que haja engano na informação: ‘Difícil aceitar a realidade’

Felipe de Almeida Borges, de 25 anos, natural de Santa Fé do Sul (SP), foi atingido por drone em dezembro. Morte foi informada à família no sábado (17).

A namorada do jovem de 25 anos nascido em Santa Fé do Sul (SP), que morreu em combate na guerra na Ucrânia, disse que ainda tem dificuldades para aceitar a perda e mantém a esperança de que possa haver um engano. A morte de Felipe de Almeida Borges foi informada à família no sábado (17).

Em entrevista à TV TEM, Jéssica Prado de Oliveira, de 22 anos, relatou que o casal, que se conheceu pelas redes sociais, morava junto em Três Fronteiras (SP) e se relacionou por quase dois anos.

A perda, segundo ela, deixou a família abalada, uma vez que acreditava no retorno do jovem ao Brasil.

“Eu tenho esperança que possa ser mentira, que não seja ele. Talvez ele esteja ferido ali e algum parceiro esteja cuidando dele. É difícil aceitar a realidade de que vou entrar na minha casa e não ver ele lá. Pela porta que ele saiu, ele nunca mais vai entrar. É difícil aceitar que a pessoa que você ama não vai mais voltar”, afirmou a namorada.

A mãe, Clarice Batista de Almeida, contou que o filho embarcou de São Paulo para Madrid, na Espanha, no dia 19 de novembro, com justificativa de que iria viajar. Contudo, Clarice soube, por amigos dele do alistamento do filho na guerra.

“Ele não comentava comigo sobre a guerra. Em setembro, ele cogitou e começou a ver lives, procurar sobre a guerra na Ucrânia. Ele disse que conversava com soldados. Mas, eu não ligava muito, porque jamais imaginava que ele iria para uma guerra. Eu falei para ele que é a mesma coisa que um suicídio porque você está indo para a morte”, lamenta a mãe.

De acordo com Jéssica, quando Felipe comentou sobre a possibilidade de ir para a guerra, não acreditou que a ideia fosse se concretizar. Por desaprovar a decisão do jovem, a mulher relatou que Felipe não contou sobre a ida ao conflito para tentar poupar a família.

“Ele sabia das minhas crises de ansiedade, que eram muito fortes e por ser a mãe dele, ia ser um baque fatal para ela. Então, ele preferiu não contar para a gente, ele tinha certeza que voltaria para casa”, relata a namorada.

Clarice relatou que a última vez que conversou com o filho foi dia 9 de dezembro, quando o jovem avisou a uma amiga que iria ao campo de batalha, na primeira missão, que começaria no dia seguinte. No dia 10 daquele mês, portanto, ficou incomunicável.

Felipe morreu após ser atingido por um drone na linha de frente do combate, segundo informações repassadas à mãe. A família aguarda agora informações oficiais sobre os procedimentos e trâmites relativos ao traslado do corpo.

No entanto, de acordo com o apurado pelo g1, o corpo ainda não foi resgatado da zona de guerra. A reportagem questionou o Ministério das Relações Exteriores sobre o translado do corpo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. G1

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