Mulher supera câncer e faz até book para mostrar autoestima

Além de fotos, ela fez até chá de lenços com amigas para raspar a cabeça

Enquanto a maioria das mulheres prefere se “esconder” depois de iniciar um tratamento contra o câncer de mama por causa da queda de cabelo, a inspetora de alunos Vera Lúcia de Andrade Chiavelli, de 46 anos e moradora deVotuporanga, enxergou além do problema e viu a chance de registrar sua beleza durante o tratamento: ela resolveu se deixar fotografar e fazer um book. “As fotos ficaram lindas. Fizemos em uma prainha na região de Votuporanga. Não tive tempo de revelar ainda, mas logo vou fazer isso”, disse ela.

No ensaio, nada de perucas: muita maquiagem, roupas e lenços de cores alegres, unhas pintadas e, claro, sapatos de salto alto. “Adorei o resultado. Os cabelos caem, crescem e são apenas fios de cabelo. A vida é muito mais do que isso”, disse.

A inspetora de alunos tem motivos de sobra para servir de exemplo de superação para muitas mulheres. Não é à toa que uma das frases prediletas da inspetora de alunos é a de Fernando Sabino: “Da queda um passo de dança, do medo uma escada”.

Essas palavras resumem bem a história dela na luta contra o câncer: quando soube da notícia, em dezembro de 2012, Vera ficou preocupada com a reação do namorado e da filha. “Não fiquei desesperada quando soube da notícia. Precisava dar força a eles”, afirma ela, que acrescenta dizendo que não perdeu uma noite de sono e não deixou de curtir nem mesmo a sua formatura por causa da doença.

O tratamento do câncer começou em fevereiro do ano passado e a cirurgia para retirada do tumor foi feita em maio. Depois de um mês de sessões de radioterapia, chegou a vez de a inspetora encarar a dura realidade das sessões de quimioterapia. “Quando se fala em quimioterapia toda mulher já pensa na queda do cabelo. Comigo não foi diferente”, diz a mulher.

Mas, ao invés de lágrimas diante do espelho e pessoas estranhas e comovidas em um salão de beleza, Chiavelli reuniu as amigas para um animado chá de lenços para proteger a futura careca. “Elas aprontaram muito comigo. Cortam meu cabelo. Passaram a máquina. E o melhor, tudo entre amigas. Sem traumas e tristeza”, conta, sorrindo. Ela ganhou lenços de várias cores, formatos e tamanhos, todos guardados até hoje como um tesouro. “Os lenços fizeram parte daquele momento. Adorava minha ‘carequinha’. Agora, vou doá-los para um hospital de Jales”, disse ela.

No começo deste ano, Vera Lúcia fez exames que comprovaram sua cura. “Meu namorado me disse uma vez que para quem ama com o coração, o cabelo é apenas um detalhe. Minha família e amigos foram essenciais nessa luta. Foram a chave para minha cura. E os fios de cabelo são apenas fios de cabelo”, disse. Fotos: Paulo Panda. /G1

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