qua, 12 de agosto de 2026

Motorista diz que tentou impedir juiz de dirigir bêbado

Um homem de 39 anos, que trabalha como motorista de aplicativo, tentou convencer o advogado e juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Junior, de 61 anos, a não dirigir sua caminhonete Ford Ranger instantes antes do atropelamento que resultaria na morte da ciclista Thaís Bonatti de Andrade, de 30 anos, em Araçatuba. O relato foi prestado à Polícia Civil e detalha os momentos que antecederam a tragédia ocorrida na manhã do dia 24 de julho.

A testemunha contou que atua como motorista de aplicativo há cerca de um ano e meio e costuma permanecer em ponto fixo nas imediações da boate frequentada pelo juiz, onde ele esteve durante a madrugada. Segundo o depoimento, o magistrado chegou ao local por volta de 0h20, acompanhado de uma mulher que trabalha como garota de programa no estabelecimento, e permaneceu até as 10h40.

Preocupado com o estado de embriaguez do magistrado, o motorista disse ter oferecido seus serviços para levá-lo para casa, mas teve a proposta recusada. Após a negativa, o juiz deixou o local dirigindo sua caminhonete, acompanhado da mulher. Temendo pela segurança dela, o motorista resolveu segui-los, pois afirmou que a conhece e já realizou diversas corridas com ela.

Ainda conforme o depoimento, o juiz entrou na contramão da rua da Fundação Mirim, corrigindo a rota apenas quando já estava na rua Porangaba. Em outro trecho, o motorista observou o veículo parado na avenida Waldemar Alves, quase em frente a uma faixa de pedestres. Nesse momento, a mulher que estava com o juiz teria tentado sentar no colo dele e, ao acelerar, ele acabou atingindo a ciclista Thais Bonatti, que feriu-se gravemente.

“Como a cena foi muito forte, fiquei apenas conversando com a mulher, que estava muito nervosa e buscou abrigo dentro do supermercado, onde permaneci com ela”, relatou o motorista.

Ele acrescentou que não conhece o juiz pessoalmente, mas afirmou que ele permaneceu com outras mulheres na boate durante a madrugada e “consumiu bastante bebida alcoólica”.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Araçatuba, que apura as circunstâncias do atropelamento, enquanto cresce a comoção e os pedidos por justiça em memória de Thais Bonatti. Por Guilherme Renan/Folha da Região

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