Mortes por doenças do coração aumentam 30% em Votuporanga

A cada dois dias, um morre por doenças relacionadas ao coração. Na véspera do Dia do Coração, Votuporanga não tem muito o que comemorar. Mortes ligadas ao aparelho circulatório cresceram 30% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado

Como está o seu coração? Você já mediu sua pressão arterial hoje? E a taxa de glicemia e glicose? Tem ficado de olho na balança e praticado atividade física? Fez check-up este ano? Se as respostas para esses questionamentos são não, aqui vai um alerta: uma pessoa morre a cada dois em Votuporanga vítimas de doenças que atingem o coração. A situação fica ainda mais preocupante porque só no primeiro semestre deste foi registrado um aumento de 30% de mortes relacionadas ao aparelho circulatório em Votuporanga, em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a junho deste ano foram registradas uma média de 17 mortes mensalmente. No ano passado, a média mensal era de 13 mortes. São simples atitudes que ajudam a prevenir que você seja a próxima vítima. Que tal pensar um pouco no assunto na véspera do Dia Mundial do Coração, comemorado amanhã. Os cuidados com o coração podem até ser de conhecimento de todo mundo, mas as doenças do aparelho circulatório são ainda as que mais matam no Estado de São Paulo, no Brasil e no Mundo. “A média de mortes está dentro dos padrões já esperados. A tristeza é que muitas doenças podiam ser evitadas combatendo os fatores de risco que potencializam a incidência das doenças do aparelho circulatório , como sedentarismo, obesidade, tabagismo, diabetes e hipertensão”, afirma a presidente da regional da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Maria Helena Mani Dias Sardilli. De acordo com o Hiperdia, banco de dados do Ministério da Saúde, 6.976 votuporanguenses possuem diabetes, hipertensão ou diabetes com hipertensão. Esse número é referente aos pacientes que são atendidos pelos programas oferecidos na rede municipal de saúde. Desses, 4.396 são mulheres e os outros 2.580 são homens. Além disso, 565 já sofreram AVC, sendo na maioria dos casos mulheres: 357. “Os homens ficavam mais doentes antes, por causa da falta de cuidado, mas com a automatização da vida e a igual de direitos e deveres, as mulheres estão alçando e até ultrapassando as estatísticas masculinas”, explica a cardiologista. Em média, os homens ficam mais doentes do coração entre os 40 e 45 anos. Já o período de risco das mulheres é a partir do período da menopausa, entre os 55 e 60 anos. “Mas as pessoas não devem esperar chegar nesta idade para procurar atendimento. A partir dos 20 anos, o paciente deve passar por um check-up anualmente. No caso de filhos de pessoas com doenças do coração, as crianças devem passar por exames de prevenção”, disse Maria Helena.

Sinais

Um cansaço ao fazer atividades rotineiras, falta de ar e desconto no peito são sinais que algo está errado com o coração também. Quando novo, o aposentado Delson Luiz da Silva, 73 anos, nunca foi de passar pelo médico com frequência. Mas a atitude dele mudou, há 20 anos, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Na época, ele trabalhava como vigia da construção do prédio da Braile Biomédica – empresa de Rio Preto referência na produção de próteses e válvulas cardíacas, onde passou mal. “Estava até bem. Do nada, comecei a sentir uma dor no braço direito. Quando eu vi, já não conseguia mais fazer nada. Fiquei caído e esperando por socorro. Meu companheiro de trabalho chegou e chamou resgate.” Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Base, onde ficou internado por dez dias. “Os médicos me disseram que eu poderia ter morrido, se o derrame tivesse atingido o lado esquerdo. Demorei dois anos para conseguir voltar a mexer o meu lado direito. Depois disso, nunca mais deixei de fazer acompanhamento no postinho.” Uma vez por mês ele passa por atendimento e busca remédios na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Vila Mayor. Todos os dias, ele caminha e faz exercícios na academia ao ar livre, perto da casa dele. “Agora eu tomo todo cuidado do mundo. Não quero passar por outro susto. Quero viver muito ainda”, afirma o aposentado.

Tratamento

Para passar pelo tratamento e acompanhamento da doença na rede pública de saúde, é necessário que o paciente portador destas comorbidades procure uma unidade de saúde mais próxima de sua casa, portando documento de identidade e comprovante de residência. Dentro dos programas, o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar de médicos, além de receber orientações e retirar os remédios utilizados no tratamento. Eles também têm à disposição aulas de Lian Gong, prática oriental em 18 terapias, Academias para Todas as Idades (ATIs) e grupos de caminhada e capoeira. (Colaborou Luciano Moura)

Atividade física é aliada do safenado Perpe

Noite do dia 31 de dezembro de 2005, o representante comercial Perpe José da Silva, 60 anos, e a mulher tinham acabado de deixar as duas filhas em clube da cidade. Elas iam curtir a festa de virada do ano. O casal optou por tomar um sorvete antes de voltar para casa. Dentro da sorveteria, ele começou a passar mal, suar muito e sentir dor no peito. Perpe estava sofrendo um infarto. “Fui socorrido e encaminhado para o Hospital de Base de Rio Preto. Tive que colocar três pontes de safena e mudar o ritmo de vida, já que em 2000 eu tive um princípio de infarto. Eu jogava bola, mas o estresse contribuiu para eu passar mal. Em 2013, passei mal outra vez, mas mais leve. Agora, faço atividade física para ajudar na minha reabilitação”, conta o representante comercial. Perpe é um dos alunos do projeto de reabilitação cardíaca promovido pela Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), desde a década de 80. Pelo menos 30 pessoas que tiveram doenças que atingiram o aparelho circulatório são encaminhadas para o grupo, que se reúne de terça-feira e quinta-feira, das 8 às 9h, no ginásio da faculdade. Para participar, o paciente precisa passar pelo serviço de cardiologia do Hospital de Base. Duas vezes por semana, a dona de casa Maria Aparecida Rosa, 59 anos, conhecida do Cidinha, vem de Guzolândia, a 140 quilômetros de Rio Preto, para participar do projeto. Há um ano, ela infartou dentro da casa dela. “Depois de frequentar o grupo, eu comecei fazer coisas que eu não sabia que podia. Venho com a ambulância da Prefeitura, que trás os pacientes para o hospital. Não deixo de participar um só dia. As atividades aqui me fazem muito bem.” O integrante do grupo Antonio Vilela, 64 anos, acredita que o trabalho em coletividade ajuda na recuperação individual. “É muito bom esse contato com os profissionais e com as pessoas que também passaram por problemas. Um ajuda e incentiva o outro e todos ganham.” “As pessoas que tiveram doenças no coração acham que não podem fazer atividade física. Ao contrário, a atividade física é essencial para a reabilitação do paciente. Os exercícios são passados de acordo com a necessidade e possibilidade de cada pessoa. Eles são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, nutricionistas e educadores físicos”, afirma o professor da instituição e especialista em saúde coletiva e medicina no esporte, Kazuo Nagamine. Diário da Região de Votuporanga

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