qua, 12 de agosto de 2026

Morte de mãe e filha no Paraná: marido jogou carro em rio de propósito, conclui polícia

Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska morreram afogadas em Porto Rico. Márcio Talaska foi indiciado por feminicídio e vicaricídio, quando filho é morto para atingir mulher. Defesa informou que irá se manifestar após analisar processo.

Márcio Talaska, de 38 anos, jogou carro da família no rio de propósito, de acordo com a Polícia Civil. O crime aconteceu em Porto Rico, no Noroeste do Paraná, e causou a morte da esposa dele, Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e da filha, Maria Laura Roman Talaska, de três. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (15) pela delegada Iasmin Gregório.

O inquérito foi concluído e Márcio foi indiciado por feminicídio, pela morte de Iria, e por vicaricídio, pela morte de Maria Laura. Nos dois casos, a causa foi afogamento.

🔎Vicaricídio é o crime cometido contra uma pessoa que está sob a guarda de uma mulher para causar sofrimento a ela. A delegada explicou que a tipificação se encaixa no caso porque houve possibilidade de dolo: Iria poderia não ter morrido e Maria Laura, sim.

Ao g1, a defesa de Márcio disse que irá se manifestar somente após analisar o processo. Ele está preso preventivamente desde o dia 8 de maio.

À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, a delegada explicou que os laudos não identificaram problemas no carro que pudessem ter impossibilitado a frenagem antes do veículo cair na água. Também não há indícios de que Márcio estava perdido durante o trajeto, com base na análise das câmeras de segurança.

“Não havia um motorista desorientado, [Márcio] não perguntou qualquer tipo de orientação para sair da cidade. Então, a Polícia Civil constata que não foi um acidente, foi proposital, e ele que estaria dirigindo o veículo”, Iasmin relatou.

A delegada ressaltou ainda que foi possível perceber que Márcio demorou para pedir ajuda, depois que o carro estava submerso.

O depoimento de um pescador que estava no local e as imagens gravadas pelo sistema de segurança confirmaram que o homem saiu nadando “com uma certa habilidade”, segundo Iasmin. Depois, ao ver que havia uma pessoa no flutuante, gritou: “Morreu minha mulher e minha filha”.

“E eu acho que na condição humana, um pai, uma mãe tentariam salvar o filho primeiro antes de sair do veículo”, a delegada considerou.

No total, 11 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação, como familiares e amigos que estavam com o casal. O inquérito, agora, é encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que pode, ou não, denunciar Márcio.

Como foram as mortes

Iria e Maria Laura foram encontradas mortas em um carro submerso que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, na noite do dia 2 de maio. A queda foi filmada. 

Com o início da investigação, foi apurado que houve um “clima de tensão” entre Iria e Márcio durante uma confraternização da família naquele dia. Isso aconteceu depois que a mulher escolheu uma música sobre traição para ser tocada. Em seguida, a família foi embora da casa.

“Esse fato é considerado como linha de motivação do crime”, afirmou a delegada.

A princípio, Márcio mentiu no depoimento ao dizer que era Iria quem dirigia o carro e que ela se perdeu no caminho para casa. Porém, as câmeras de segurança da região confirmaram que o marido era o motorista.

As apurações seguintes mostraram o trajeto realizado pelo carro, comprovando que o condutor seguiu em linha reta e acessou as ruas próximas ao rio sem desviar. No total, ele dirigiu por oito minutos antes do automóvel chegar à rampa e entrar na água G1

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