Moradores convivem com o medo às margens de ferrovia

Quatro dias após o grave acidente envolvendo uma composição da ALL (America Latina Logística), que matou oito pessoas em São José do Rio Preto, moradores da região sul da cidade de Votuporanga que residem próximo aos trilhos, dizem que o medo e insegurança, que já era grande, aumentaram ainda mais. 

 

São centenas de vagões que cruzam as margens de Votuporanga. A cabeleireira Adriana Faria, 34 anos, reside no bairro Estação há sete anos. Sua residência fica a menos de 30 metros da linha férrea. Ela relata que já convivia com medo antes do descarrilamento de Rio Preto, agora a insegurança aumentará cada vez que um trem passar de frente a sua residência.
“O fluxo aqui é constante, depois do acidente, o trânsito parou. Mas quando voltar, a insegurança aumentará novamente. Vai ser difícil ficar em paz, dormir vai ser cada dia mais difícil. Tempos atrás houve um descarrilamento aqui próximo, se fosse aqui nesta região, o acidente seria como aconteceu em Rio Preto. Não tenho dúvidas que haveria mortes”. 
Além do medo, a cabeleireira relata outro problema causado pelas composições. “São três cruzamentos aqui. A coisa mais normal são os trens fecharem dois. Eu tenho que andar mais de 500 metros quando param na estação. Muitos se arriscam a passar entres os vagões, mas já vi inúmeras vezes eles saírem sem buzinar. Ou seja, se uma pessoa estivesse atravessando, poderia ser morta” diz.
No bairro Jardim Palmeiras II a situação é idêntica. João Batista Salgueiro, 50 anos, reside na rua Josefina Galloro há dez anos e diz que os trilhos já deveriam ter sido retirados das proximidades das casas.
“Por mim tínhamos que fechar os trilhos e não deixar nada passar por aqui. Há anos deveriam retirar estes trilhos. É só andar pelos trilhos e é fácil encontrar dormentes podres. Eles passam aí e dizem que fiscalizam os trechos, mas no dia seguinte os dormentes podres estão lá. Eles sabem das responsabilidades que tem e não tomam providencias. Esperam acidentes acontecer para fazerem algo”. 
“O trânsito só vem aumentando, passam aqui durante o dia, noite, madrugada. Cada vez com mais vagões e os trilhos são sempre os mesmo. É questão de tempo para acontecer algo parecido aqui se nada for feito. Esses trilhos aqui são uma espécie de bomba relógio”, diz Salgueiro.
A reportagem percorreu trechos da linha férrea no perímetro urbano de Votuporanga e constou que a maioria dos dormentes estão em bom estado, mas existem alguns em péssimo estado e também alguns parafusos soltos ou frouxos. Alex Pelicer A Cidade

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