Médicos de Rio Preto estudam fazer transplante multivisceral no Brasil

Diretor de hospital de Miami, referência na cirurgia, esteve no HB. Transplante troca todos os órgãos digestivos de uma só vez.

A equipe de transplantes do Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto (SP) tenta conseguir para a unidade o credenciamento para a realização de transplante multivisceral, que é a troca de todos o órgãos digestivos do paciente de uma só vez. Para isso, o diretor do maior hospital do mundo em transplante multiviscereal, Rodrigo Vianna, que esteve em Rio Preto na terça-feira (20) para o 3º Congresso Internacional de Cirurgia Geral, trocou informações sobre as técnicas usadas com médicos do HB.

A convite do amigo e chefe do Setor de Transplante de Fígado do Hospital de Base, Renato Silva, Vianna conheceu o HB e o setor onde já foram feitos mais de 4,2 mil transplantes de órgãos e tecidos desde 1992.

Silva diz que o objetivo é assinar um convênio entre o HB e a Faculdade de Medicina de Miami. “Pretendemos assinar este convênio para amadurecer a equipe e trazer o transplante multivisceral para o país, que é uma deficiência que temos”, diz.

Vianna, de 45 anos, comanda o maior centro de transplante multivisceral do mundo que fica em Miami, nos Estados Unidos. Esse tipo de transplante ainda não é realizado no Brasil. Segundo os médicos, o transplante multivisceral é um dos mais complexos entre os transplantes, por isso são poucas as instituições que realizam esse tipo de cirurgia no mundo. De acordo com Silva, a ideia é trazer a técnica para o Hospital de Base em um prazo de um ano e meio.

Vianna afirma que o transplante multivisceral consiste na remoção de todos os órgãos do aparelho disgestivo e a reposição desses órgãos que estão todos juntos, na maioria dos casos são fígado, estômago, pâncreas e intestino delgado, algumas vezes no intestino grosso e muitas vezes pode incluir os rins, repõe todos os órgaos do sistema digestivo. “É a cirurgia mais complexa que um ser humano pode sofrer”, afirma Viana.

Para Renato Silva, o HB tem total condições de realizar esse tipo de transplante. “Temos tradição em transplantes, realizamos todos os tipos de transplante e o único que falta é o multivisceral, que é preciso ter um treinamento para fazer. Temos uma equipe de ponta em Miami que vai nos formar nesse tipo de transplante para que a gente atenda o povo brasileiro. O objetivo da medicina é esse”, afirma.

Segundo Silva, Vianna recebe todos os brasileiros que precisam desse tipo de transplante em Miami. Inclusive, foi ele quem fez o transplante multivisceral da bebê de Votorantim (SP), Sofia Gonçalves de Lacerda, de um ano e oito meses, em 2015.

A menina passou pela cirurgia em Miami, no ano passado, mas acabou morrendo após ter infecção no pós-operatório. Segundo Vianna, o transplante havia ocorrido dentro da normalidade.

“Quem precisa deste tipo de transplante tem de ser deslocar para Miami e o custo de um transplante nos Estados Unidos sem dúvidas é muito maior do que o custo de um transplante realizado no Brasil. E temos que pensar em atender um número cada vez maior de pessoas e esse é o objetivo”, afirma.

Depois de visitar as instalações do HB, Vianna disse que acredita ser possível levar esse transplante para o HB. “O mais importante são as pessoas. É preciso a massa crítica, que realmente tem interesse em desenvolver e acho que existe uma experiência muito grande no Hospital de Base na área de transplante. Tudo é possível se você tiver as pessoas certas envolvidas e a vontade de se fazer, sempre é possível”, ressalta.

Para que o hospital possa realizar esse tipo de cirurgia é preciso que o Ministério da Saúde credencie a instituição, mas o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que ainda não há um pedido formal para que o HB seja credenciado para fazer o transplante multivisceral.

Silva acredita que o governo irá credenciar o hospital. “Acredito que o governo será sensível a nossa luta, porque temos uma tradição, a instituição tem, o País precisa, e  poucas universidades estão reivindicando enfrentar esse desafio que é o transplante multivisceral”, diz.

Vianna diz que vê com bons olhos essa possibilidade. “O fato de eu ser brasileiro e a gente ter um centro em Miami, o segundo maior dos Estados Unidos, o maior do mundo multivisceral, para mim seria um prazer poder ajudar qualquer instituição a desenvolver essas técnicas”, finaliza. G1

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