Médico Flávio Benez é destaque na imprensa nacional

Caso do médico que continua atendendo em Fernandópolis mesmo após ter ficado tetraplégico ganhou repercussão em todo o Brasil 

Superação — parece clichê, mas não há outra palavra que defina o médico Flávio Benez, de 36 anos. O caso do profissional que ficou tetraplégico em janeiro de 2014, após escorregar na borda de uma piscina e bater o pescoço, ganhou repercussão nacional e ele já foi destaque nos principais meios de comunicação do Brasil.
Em todas as reportagens, o foco principal foi o fato de Benez se tratar no mesmo hospital onde atende seus pacientes. Atende, isso mesmo, no Presente do Indicativo. O médico não deixou de atuar, mesmo após o acidente que o deixou sem os movimentos de tronco e membros.
A Folha de São Paulo e o Domingo Espetacular (Rede Record) enalteceram a atitude do ortopedista, que ontem foi entrevistado por Felipe Andreolli, no programa Encontro, da TV Globo.
Mais uma vez, em rede nacional, ele contou como sua vida mudou após a lesão. Benez, que é ortopedista, fisiatra e professor, foi um dos profissionais mais dedicados ao incentivo da melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiências físicas na unidade de reabilitação Lucy Montoro, de Fernandópolis. Hoje, é ele quem necessita da mesma assistência de seus pacientes.
À Record, Benez contou que sempre foi muito prudente. Tinha receio até de cortar o dedo, pois temia não ter condições de atender. À Folha, o médico disse que, no Réveillon de 2013, havia prometido a si mesmo trabalhar menos, passar mais tempo com a família e emagrecer. Ironia do destino, após o acidente, ele perdeu 30 quilos, fechou dois consultórios, parou de dar aulas e passou a acompanhar mais o crescimento do filho, o pequeno João Pedro.

Acidente
Sobre a lesão, Benez lembra que, assim que caiu na piscina, com a cabeça dentro da água, prendeu a respiração o máximo que pode, pois já sabia, com o baque, que estava em uma situação muito delicada. “Não conseguia mexer a cabeça. Tinha de sobreviver de qualquer jeito. Precisava rever meu filho e minha esposa.”
Resgatado pela mulher e por um amigo depois de dois minutos, Flávio retornou à realidade já sem os movimentos de pernas, braços e tronco e com uma lesão entre as vértebras cervicais C4 e C5, quadro extremamente grave.
“Como médico, sempre incentivei os pacientes a se recriarem. Foi quando tive a consciência de que eu precisaria brigar muito pela minha própria vida.”
Andreolli ficou impressionado com a história de superação do médico, que já realizou aproximadamente 3.000 cirurgias. “Há muito tempo, lido com pessoas com deficiência. Por isso, já tinha noção do que passa um cadeirante”.
Otimista, a esposa Nayara, 36 anos, comemora as conquistas do marido. “Foi difícil no começo. Na hora [do acidente], eu como fisioterapeuta percebi a gravidade e não queria acreditar. Mas agora ele voltou a trabalhar, está com a cabeça boa”, celebra, ressaltando que o apoio da família e dos amigos é primordial.
A falta de acessibilidade foi abordada por Nayara de forma sutil, porém, objetiva. “O mais difícil é que os lugares são deficientes. Para jantar fora, como por exemplo, comer uma pizza, a gente tem que se programar com dois dias de antecedência”, lamenta, mas logo acrescenta: “Tá difícil, mas tá sendo possível”.
Benez admite que no começo sentiu receio da reação dos pacientes. “Mas foi o contrário. Hoje, me sinto muito melhor como médico. Tenho certeza que melhorei muito. Eu sinto o que o paciente sente, as dificuldades. Isso fortalece a gente”.
Para o ortopedista, “Reabilitação” não significa apenas voltar a andar. “É voltar a trabalhar, ser reinserido no mercado de trabalho”.

Ajuda
Com o auxílio de enfermeiros, Benez examina pacientes. Orienta como apalpar, onde mexer, que tipo de movimento fazer.

Em pé
“Minha meta é conseguir ficar em pé, em um andador. Entretanto, voltar a andar não é uma obsessão. Queria ao menos recuperar o movimento de uma das mãos, assim poderia operar meus pacientes.” O conhecimento técnico e o esforço na reabilitação têm surtido efeito prático.
Benez já faz um pequeno movimento com o pé esquerdo, consegue erguer levemente o braço direito e está retomando parte da sensibilidade do pescoço para baixo. Inclusive, durante a reportagem do Domingo Espetacular, enquanto seu tio – que também é médico – era entrevistado, Benez arriscou um aperto de mão, emocionando a equipe de reportagem.

Historia de vida 
O médico titular do Encontro, o neurologista Fernando Gomes Pinto, comentou sobre o caso de Benez. “É uma honra conhece-lo. Você tem uma história de vida especial: trabalha com reabilitação, sofreu trauma e voltou a atender os pacientes. Ou seja, a lesão foi cervical; você perdeu o movimento de membros e tronco, mas o cérebro, o encéfalo, onde estão as ideias, os princípios, e todos conceitos da medicina e da arte média estão funcionando a todo vapor”.
Fernando até prevê um futuro brilhante para o ortopedista. “Não tenho dúvida que esse homem será autor de compêndios de reabilitação que vão ter um peso diferenciado, porque ele está vivendo na pele. Todos nos queremos ajudar os outros, mas você é um exemplo que sentiu na pele a situação”, finaliza. Fernanda Ribeiro Ishikawa/Diário de Votuporanga

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