Mecânico usa peças de motocicletas para criar suas obras

Sucata automobilística não vai mais parar no ferro-velho em Mirassol. Pelo menos no que depender de Adauto Antônio da Costa, 46 anos. Nas suas mãos, amortecedor, pistão, disco de embreagem e corrente são transformados em fêmur, pernas e coração. Ele faz arte pop com uso de ferro velho. Na sua pequena oficina no centro da cidade, desenvolve obras que chamam a atenção da população, como os famosos personagens do filme “Transformers”, Bob Marley com sua guitarra, carros e motocicletas futuristas, o aventureiro Dom Quixote, Robocop e até cabeça de gnomo.

Agora enfrenta o maior desafio de sua curta carreira como artesão do aço: está erguendo réplica de São Francisco de Assis, com quatro metros de altura, uma tonelada de pura ferragem e milhares de engrenagens. A gigantesca peça será exposta na Festa do Milho de Jaci, de 12 a 19 de abril. Faz pouco tempo que se dedica ao ofício. Apaixonado pelos veículos de duas rodas, desde sempre trabalhou como mecânico. Um acidente de trânsito, no entanto, provocou ruptura em sua vida. Em suma: mudou tudo. Não imaginava que a passagem ruim seria a pedra fundamental para iniciar a criação dos curiosos inventos.

Em 19 de maio de 2014, bateu a moto em um carro na zona norte de Rio Preto. Quebrou o fêmur direito. Ficou 12 dias internado no Hospital de Base e dois meses deitado na cama, em casa. Quando se recuperou, não tinha mais forças e ânimo para trabalhar da mesma forma que antes. Começou a criar. Não esperava que daria certo. Mas se enganou. Tanto que parou de consertar motocicletas para se dedicar à nova ocupação. “Já tinha algumas ideias na cabeça, mas só no ano passado coloquei em prática.”

Costa desenvolveu o olhar para visualizar arte no meio da tumultuada sucata. Com rápida observação, encontra restos de carro, caminhão e até trator que podem simbolizar partes humanas. Paga de R$ 0,40 a R$ 3,5 pelo quilo da matéria-prima. Depende da qualidade. É criterioso na escolha do material que vai usar e minucioso na montagem. O exemplo é a estátua do transformers. Com riqueza de detalhes, reproduz o corpo humano. Estão bem delineados a caixa torácica, braços, dedos, pernas e pés. Tubos, que outrora conduziram combustível e óleo, simbolizam as veias. Tudo é unido com solda.

Uma de suas obras, por exemplo, foi trocada por uma potente máquina de soldar com precisão, cujo exemplar novo custa quase
R$ 5 mil. As criações são vendidas de R$ 200 (réplica de carro pequeno) a R$ 3 mil (transformers com três metros de altura). “Vejo as peças e começo a imaginar o que posso fazer. É uma loucura”, afirma o mecânico, que tem dois filhos e está solteiro atualmente. Parafusos jogados no chão da oficina, diz Costa, serão os primeiros pedaços de um tiranossauro rex que pretende erguer. Dedica-se a muitos projetos ao mesmo tempo.

Trabalha na construção de utensílios de personagens dos filmes “Motoqueiro Fantasma” e “Capitão América”. Já reúne parte de um homem, que pode ser transformado tanto em um pescador solitário como na famosa estátua “O Pensador”, de Rodin. Vai depender do humor dele no dia. Quando terminar a réplica que será exposta em Jaci, vai pegar a moto e viajar até Fortaleza, capital do Ceará. Já fez passeios assim, a partir de Mirassol até Bahia, Goiás e Mato Grosso. Quer descansar a cabeça e, quem sabe, voltar com algumas ideias na bagagem. Raul Marques/Diário Da Região

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