‘Maníaco da Unesp’ é preso e confessa roubos

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto identificou e prendeu, na noite de terça-feira, 22, o ladrão que agia nas proximidades da Unesp, de Rio Preto, e trazia terror aos estudantes.

Alunos da universidade até criaram grupo no Facebook com medo dos roubos, em que havia a suspeita de que o assaltante também fosse maníaco sexual.

 

Sobre isso, o delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior, da DIG, explicou que o que parecia ser o órgão sexual do acusado é uma hérnia de umbigo. “Quando o rapaz erguia a camiseta, realmente parecia ser, mas era a hérnia. Além disso, o volume também poderia ser confundido com uma arma debaixo da roupa”, diz.

Segundo a polícia, o pintor Eder Alves Godoi, de 31 anos, agia sozinho nos assaltos. Ele abordava mulheres e, geralmente, levava os celulares das vítimas. Uma das pessoas roubadas anotou a placa da moto usada pelo suspeito para praticar os crimes. Os policiais identificaram a proprietária como irmã do suspeito. “Quem realmente usava a moto dela era o filho, que a emprestou para o tio, irmão da mãe”, afirma o delegado.

Godoi foi preso em sua casa, no bairro Eldorado, e confessou a prática de cinco crimes de roubo e tentativa de roubo na região da universidade entre os dias 19 e 25 de setembro, todos no período da tarde. Um dos roubos, inclusive, não foi registrado na polícia e a DIG não conseguiu localizar a vítima. Em depoimento, o pintor disse ser viciado em crack e cocaína. Ele contou que abordava apenas mulheres porque não agia armado e assim evitava possíveis reações. Os celulares roubados eram trocados por droga.

O pintor não tem antecedentes criminais, mas teve a prisão preventiva decretada e está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) à disposição da Justiça.
Descartado

No dia 27 de setembro, a Polícia Militar havia prendido um suspeito de cometer esses crimes e depois de prestar depoimento o delegado José Augusto Fernandes, da DIG, o liberou. Segundo a polícia, de fato, não há ligação entre este suspeito e o preso ontem, terça-feira, 22.

Mais informações na edição de quinta-feira, 24, do Diário da Região.

Pierre Duarte
Alunos passaram a andar em grupos

Reportagem do dia 3 de outubro

Alunos se mobilizam no Face para achar ‘Maníaco da Unesp’

Tatiana Pires e Elton Rodrigues

Estudantes do Ibilce, campus rio-pretense da Unesp, utilizam página no Facebook, rede social na internet, para alertar outros alunos sobre a presença de um motociclista, chamado por eles de “Maníaco da Unesp”, que age nas imediações da faculdade. O clima é de tensão na Unesp desde a semana passada, quando um mototaxista chegou a ser detido pela Polícia Militar e levado à delegacia, mas solto por falta de provas. Em postagens de ontem no Facebook, estudantes disseram desconfiar que ele, ou alguém com características parecidas e também de moto, esteja rondando o local de novo.

Uma jovem de 22 anos que se sentiu perseguida contou ao Diário que entrou ontem em um estabelecimento comercial para evitar ser atacada. “Estava parado perto da esquina, eu passei e ouvi ele ligando a moto e andando devagar atrás de mim. Entrei no salão de beleza. Quem não fica com medo, né?”.

Na quinta-feira passada, segundo os estudantes, após diversas ligações para o telefone 190, policiais militares identificaram o mototaxista T.S.S., 28 anos, como suspeito de ter assaltado pelo menos cinco universitários e tentado estuprar duas meninas. Ele foi encaminhado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) , onde foi ouvido e liberado. “Já havíamos feito boletim de ocorrência dos roubos, de ligações feitas em dias diferentes, mas na semana passada, que ele ficou rondando a universidade o dia todo, nos juntamos e ligamos insistentemente. Após 40 minutos a PM veio e o prendeu”, contou uma aluna de 20 anos.

No entanto, alguns universitários passaram a achar que o suspeito de ontem seja outra pessoa. “Esse de hoje (ontem) é gordo, mas não tanto quanto o outro”, disse uma estudante. Outro concorda: “Os bandidos acham que porque a gente estuda é filhinho de papai. Eles devem estar achando fácil fazer vítimas aqui, já que quase não vemos polícia, só quando a gente liga insistentemente para o 190”.

O delegado José Augusto Fernandes, da DIG, acredita que não seja o mototaxista detido no dia 26 que está rondando a Unesp novamente. “Continuo com as investigações, mas como não ouve flagrante, não pude prender ele. Além dele possuir trabalho e residência fixos, e seu antecedente, por furto, é de quando era adolescente. Algumas vítimas reconheceram, outras ficaram em dúvidas o que me impedi de pedir prisão preventiva”.

Em relação a outro indivíduo, que estaria rondando a instituição, o delegado afirma que cabe à Polícia Militar fazer o policiamento preventivo-repressivo pelo local. Segundo o major Luiz Roberto Vicente, coordenador operacional do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPMI), o patrulhamento na área continua sendo feito. Ele questiona a ação da Polícia Civil de não ter prendido o acusado. “A PM atende a ocorrência, consegue prender o suspeito, mas cabe à Civil decidir o que vai acontecer com o indivíduo. O fato de estar sendo investigado não impede que o homem atue novamente”.

‘Todos estão com medo’ 

Nas imediações do Ibilce/Unesp o clima é de medo e tensão. Alunas procuram andar em grupos e ao ver uma motocicleta com um homem a bordo ficam apreensivas. “Não me arrisco a andar sozinha. Todos estão com medo. Tenho uma amiga que até está desenvolvendo síndrome do pânico por conta disso”, disse a estudante A.M., de 22 anos.

Não é difícil achar quem já foi ou conhece alguma vítima de roubo nas redondezas da faculdade. “Tenho várias amigas que já perderam celulares. É muita falta de segurança”, disse a estudante de letras S.F., de 26 anos. A estudante é uma das que precisam utilizar as ruas das imediações da Unesp para ir embora. “Volto a pé todos os dias e confesso que estou com medo”, afirmou.

Por conta da falta da segurança, as calçadas externas da faculdade, onde a aluna passa ao ir embora e que geralmente são utilizadas para caminhada, estão vazias. Poucos são os que se arriscam. “Vi que hoje (ontem) está bem mais vazio do que costuma ser, mas não sabia o porquê”, disse uma vendedora de 39 anos, que caminhava pelo local ontem no começo da noite.

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password