Mais dois caixas eletrônicos são dinamitados na região

Uma quadrilha explodiu dois caixas eletrônicos de uma agência bancária na madrugada de ontem em Nova Granada.
Uma pessoa foi feita refém, mas ninguém ficou ferido. Com o impacto da dinamite, a parede atrás dos caixas veio abaixo, parte do teto foi destruída e os vidros da janela do prédio se quebraram. O valor furtado não foi revelado, mas, segundo funcionários da agência, cada caixa eletrônico armazena de R$ 500 mil a R$ 1 milhão.

Foi a quinta ocorrência do tipo na região apenas neste ano. Na terça-feira, outra agência, em Três Fronteiras, ficou parcialmente destruída em outra ação dos ladrões. Desde junho de 2011, quando houve a primeira explosão em caixas eletrônicos, já são 25 furtos semelhantes no Noroeste paulista.

 

Para a polícia, as quadrilhas se valem do pouco movimento de pessoas nas cidades menores, além da facilidade de obter explosivos em mineradoras. “Precisa ter maior fiscalização sobre a guarda dessas dinamites”, afirma Paulo Grecco, delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil. “São grupos bem organizados, que planejam em detalhes cada ação”, diz o coronel Azor Lopes da Silva Júnior, comandante regional da Polícia Militar.

Na ação de ontem, por volta das 4h20, cinco homens chegaram em frente à agência em uma Parati com placas de Cotia, na Grande São Paulo. Um permaneceu ao volante, e deixou o motor do veículo ligado o tempo todo. Outros dois, armados com uma espingarda calibre 12 e uma submetralhadora, renderam o motorista W.F.G., 29 anos, que passava de moto pelo local. “Eu ia pegar o ônibus na empresa em que trabalho. Estava no lugar errado, na hora errada.”

O rapaz foi obrigado a retirar o capacete da cabeça e entregar a chave da moto a um dos ladrões. A polícia acredita que ele se tornaria refém caso os policiais flagrassem a ação do grupo. Apesar do susto, ele não se feriu. Como a cidade estava deserta naquele horário, W.F.G. foi a única testemunha ocular do episódio.
Minutos após renderem o motorista, os ladrões se assustaram com a aproximação de um ônibus. “Para não deixar o veículo se aproximar, um deles deu um tiro de espingarda para o alto”, disse o motorista.

 

O ônibus dobrou a esquina. Em seguida, dois do grupo entraram na agência com duas dinamites. Para evitar a identificação pelas câmeras de segurança, eles estavam encapuzados. Instalaram os explosivos nos dois caixas e saíram correndo. Foram duas explosões fortes, seguidas.
“Tremeu o chão aqui em casa. Dei um pulo da cama”, diz o aposentado João Tancredo, 68 anos, vizinho da agência. Com medo, ele apenas abriu a porta da sala, e viu a Parati fugindo. Rapidamente, a quadrilha tinha recolhido o dinheiro em sacos grandes – antes da fuga, devolveram a chave da moto a W.F.G. e deram mais dois tiros para o alto. Toda a ação, segundo o motorista, durou menos de 15 minutos. A Polícia Militar chegou ao local cerca de cinco minutos depois. Encontrou a Parati abandonada às margens da BR-153, na direção de Minas Gerais.
Não há pista dos ladrões, mas a polícia suspeita que sejam os mesmos que tentaram furtar os dois caixas em janeiro deste ano com um maçarico. Não conseguiram, mas danificaram os caixas, que tiveram de ser trocados. Os novos chegaram apenas anteontem, e foram os mesmos que, menos de 24 horas depois, acabaram destruídos pelas dinamites. Procurada, a gerência da agência não quis comentar o episódio.
Nova Granada está no alvo
Nova Granada tem sido alvo de ladrões de bancos. Em dezembro de 2011, uma quadrilha sequestrou o gerente do Santander na cidade, que morava em Palestina, e o obrigou a abrir o cofre da agência. Quase um ano depois, a PM suspeitou de dois carros com placas de Sumaré (SP) na entrada da cidade e decidiu abordar seus ocupantes. No veículo, encontraram uma banana de dinamite, armas, capuzes, luvas e pés-de-cabra. Eles confessaram à polícia que iriam explodir um caixa eletrônico na cidade.
Em julho do ano passado, bandidos furtaram 200 quilos de explosivos de dentro de uma construtora em Icém, vizinha a Nova Granada. Os ladrões fugiram com 100 quilos e deixaram o restante no meio de um canavial vizinho. Mas não há pistas que liguem o roubo dos explosivos ao furto de ontem. A falta de itens de segurança nas agências bancárias da região é apontada pelo comandante da PM, Azor Lopes da Silva Júnior, como um dos principais fatores para a onda de crimes como o ocorrido em Nova Granada.
“A Polícia Militar em São Paulo já fez um levantamento e apontou as principais falhas nessas agências. Foi solicitado inclusive algumas mudanças, como por exemplo, a instalação de câmeras de segurança que gravem as imagens”, explica. “É um crime impossível de ser prevenido pela Polícia Militar. Ele acontece de surpresa, com o planejamento de quadrilhas que normalmente não são da região”, afirma.

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