Mais da metadade de quem usa os remédios pode viver sem os antidepressivos

Para Reinaldo, há muita gente que usa o remédio como anestésico

Para o coordenador da rede de saúde mental de Votuporanga, Reinaldo Antônio de Carvalho, tristeza é para ser sentida, mas muitas pessoas querem medicalizá-­la. Ele disse que mais de 50% das pessoas atendidas hoje no município conseguiriam viver sem o medicamento. Reinaldo destaca, porém, que há quem necessite efetivamente do tratamento medicamentoso.

“Ninguém quer sentir tristeza ou ansiedade e buscam nos remédios a cura para algo que é comum no dia a dia do ser humano. É claro que há quem efetivamente precise do tratamento com os medicamentos, mas tem momentos, como o luto, o fim de um relacionamento, que devem ser sentidos. Esses sentimentos, geralmente, são aliviados naturalmente. Porém, nossa cultura tem tolerância baixa para lidar com as coisas da vida”, falou Reinaldo.

O coordenador da rede de saúde mental disse ainda que para ser estabelecida a depressão há critérios, como o acompanhamento médico por alguns meses.

Para Reinaldo, há muita gente que usa o remédio como anestésico. “Nossa cultura ainda deposita toda expectativa no uso do medicamento”, destacou. Prova disso é que o comprimido mais prescrito no Brasil é o Clonazepam.

“Um estudo americano diz que apenas 40% dos indivíduos submetidos à terapia medicamentosa, corretamente, melhoraram. Então, o remédio sozinho não ajuda totalmente. É preciso buscar um conjunto de ações que tragam de volta a felicidade, como psicoterapias, convivência familiar, vínculo social, ouvir música, conversar com amigos, busca por uma religião, entre outros hábitos de qualidade de vida. O problema é que as pessoas estão se isolando destas práticas saudáveis”.

Reinaldo reforçou que Votuporanga oferece diversas atividades que estimulam a qualidade de vida, como eventos culturais, esportivos e de lazer. “São atividades que estimulam a convivência social e são indicativos de saúde. Envolver o indivíduo nestas práticas é que vai reduzir a busca por medicamentos”.

Para as pessoas efetivamente doentes, o município conta com os Caps, que oferecem acolhimento, atendimento médico e plano terapêutico, com algumas atividades em grupo. Leidiane Sabino/A Cidade

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