Mães são agredidas pelos próprios filhos

Três casos de violência de filho contra a própria mãe foram registrados em Rio Preto nesta segunda-feira, dia 1°. Dois jovens, de 26 anos e 28 anos, foram presos. Uma moça de 25 anos está sendo procurada, acusada de ter atirado um tijolo contra a mãe. No caso mais grave, Wesley de Carvalho, 26, teria agredido fisicamente a mãe dele, a aposentada Débora dos Santos, 62 anos. De acordo com o registro policial, Carvalho xingou a idosa e a ameaçou de morte. Ele também danificou o carro dela, um VW Gol.

A Polícia Militar prendeu o acusado na casa da família, no Residencial Vetorasso, e um boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal, violência doméstica, ameaça, injúria e dano. Devido à agressividade dele e a série de crimes cometidos, o delegado Hélio Fernandes Reis, plantonista da Central de Flagrantes, não arbitrou fiança. Carvalho foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) nesta terça-feira, dia 2.

O pedreiro Gustavo Henrique Neves, 28, desrespeitou a medida protetiva que o impede de se aproximar da própria mãe, Luci Cristina Neves, 44 anos. Gustavo teria invadido a residência da mulher, localizada no Jardim Antunes. Sem permissão, ele deitou em uma das camas e ainda teria xingado a mãe de “vagabunda”. Luci acionou a Polícia Militar, que surpreendeu o homem assistindo televisão. Aos policiais, ele disse que continuaria a desobedecer a ordem judicial, retornando para a casa da mãe, porque está morando na rua.

Gustavo foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde o delegado arbitrou fiança de R$ 1 mil. Como o valor não foi pago, ele foi preso e transferido para o CDP. O outro caso ocorreu no Parque da Cidadania. A dona de casa Silvana Pereira dos Santos, 46 anos, teria discutido com a filha, Luana Cristina Pereira dos Santos, dois dias seguidos – no domingo, dia 31, e na segunda-feira, dia 1°. E acabou agredida com uma tijolada no rosto.

A vítima foi socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Antônio, Após atendimento médico, ela foi liberada. Luana está sendo procurada e o caso foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

ANÁLISE

A violência doméstica muitas vezes costuma ser uma violência silenciosa, principalmente se ela ocorre dos filhos para os pais. Uma estatística que só vem aumentando diante da banalização da violência e a passagem da adolescência para uma vida adulta sem a infraestrutura que permite independência e autonomia no trabalho e na vida, ainda mais quando as drogas são o pano de fundo da alienação desses jovens. A vergonha e o sentimento de culpa evitam que os pais falem a respeito do assunto, mas é preciso atravessar essa barreira para conseguir ajuda. Muitos pensam que ela só acontece em famílias desestruturadas ou com problemas econômicos, mas o descontrole pessoal que leva à violência não diferencia nível socioeconômico e muito menos modelo familiar.

Em 2013 foi lançado o primeiro estudo sobre o problema, o relatório Abuso Oculto dos Filhos contra os Pais, elaborado pela Universidade de Brighton, na Grã-Bretanha. No Brasil a elevação dos números divulgados pela Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais podem ser “apenas a ponta desse iceberg”, pois não incluem a “violência psicológica ou moral e a negligência/abandono (…) provavelmente acompanhando a violência física”, diz o coordenador do estudo J. Waiselfisz.

É a forma mais escondida, incompreendida e estigmatizada de violência familiar. Milhares de pais vivem com medo, mas o tema ainda é um tabu. Parte do problema é  que as famílias não têm claro o conceito de autoridade e o sistema educativo é permissivo. Outro lugar comum é que o aumento do numero de separações e as demandas do trabalho tem distanciado os pais da educação dos filhos, mas o grande desagregador dos relacionamentos ainda é o envolvimento com drogas, que cria um ambiente de frustração e descontrole.

Alguns pais se escondem da realidade acreditando que passam por uma fase passageira, e que seus filhos os agridem porque é apenas um aspecto da personalidade dos jovens. Mas a violência já é o indicador de uma necessidade de limites ou de uma separação indispensável para que o filho possa se desenvolver como indivíduo. Muitas vezes, a necessidade de intervenção deve se materializar na forma de uma denúncia para as autoridades, uma medida protetiva tanto para os pais quanto para os filhos.

Karina Younan, psicóloga

Tatiana Pires/Diário da Região

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