Mães do Tráfico: maridos são os principais culpados

Apenas este ano, 13 mulheres foram presas; intermediação do companheiro, conviventes e namorados é o principal motivo

 

 Atualmente, a principal causa de prisão de mulheres é por tráfico de drogas. A reportagem do Diário de Votuporanga entrou em contato com Antônio Marques do Nascimento, o delegado de Polícia da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Votuporanga, e o questionou sobre essa causa e o que leva as mulheres a praticar o ato de comercialização de drogas.

Segundo o delegado, quando se trata de drogas, tudo aumenta. “Relativamente ao número de mulheres envolvidas no tráfico em trabalho desenvolvido pela Dise, temos o seguinte patamar: somente no ano de 2013, 13 mulheres foram autuadas em flagrantes por participações no tráfico de drogas, enquanto que no ano de 2012, até o corrente mês de setembro, 23 mulheres foram presas”, relatou o delegado.

Sobre a necessidade das mulheres sustentarem os filhos ser a causa principal para entrar no mundo do tráfico, o delegado relatou que a renda dos entorpecentes nem sempre é destinada à sustentação da casa, mas principalmente porque essas mulheres são levadas ao tráfico pelos companheiros com quem convivem, tais como marido, convivente, namorado, etc., e que geralmente eles as recrutam para isso.

Essas mulheres são caracterizadas como as “Mães do Tráfico” e acabam se envolvendo na comercialização de entorpecentes, são normalmente mulheres jovens, com uma faixa etária de 35 anos para baixo.

“A maioria dessas mulheres envolvidas são mães, mas não moram necessariamente com seus companheiros”, declarou o delegado Nascimento.

Existem vários casos também de mulheres grávidas que acabam sendo autuadas em flagrante, o que torna a situação um pouco mais complicada.

De acordo com o delegado, a Dise não tem estatísticas a respeito para saber se a mulher traficante está grávida ou não quando é presa.

Casos

Em relação aos casos de tráficos que estão abertos na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, Nascimento afirmou que as investigações realizadas pela Dise, na verdade, duram meses, enquanto que outras se resolvem em poucos dias. Portanto, o delegado relatou que várias investigações se encontram em andamento, envolvendo tanto pessoas do gênero feminino e masculino.

Todos os casos de denúncia que são encaminhados à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes são averiguadas, surgindo disso, várias situações sugestivas de tráfico de entorpecentes que se aprofundam.

“Outras denúncias não dão em nada, e as denominamos como ‘trotes’. Mas é assim uma das formas que se inicia a investigação, visando identificar os autores de tráfico de substâncias de entorpecentes”, relatou.

O delegado justifica o aumento do tráfico devendo-se como “impunidade”, ou seja, quando o traficante é punido, não o é de maneira exemplar.

“A legislação brasileira, não só a respeito do tráfico de drogas, mas em relação a todo o tipo de crime, é falha e “inventam-se” muitas brechas para absolver o marginal, que são aceitas pelos julgadores”, finalizou Antonio Nascimento. (Colaborou Paola Munhoz)

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password