Mãe de menina de 2 anos maltratada pode perder a guarda da filha, diz MP

Padrasto de criança foi preso na sexta-feira (26), em Araçatuba (SP). Promotoria da Infância e Juventude entrou com uma ação protetiva

A mãe da criança de 2 anos que foi supostamente maltratada pelo padrasto em Araçatuba (SP) pode até perder a guarda da filha. O Ministério Público pediu uma avaliação de como é o convívio da menina com a família. Psicólogos e assistentes sociais vão tentar descobrir o que acontecia na casa. “Qualquer situação de risco para a criança ou adolescente, se a família não tiver condições de ficar com ela, é procurado uma família extensa, que são familiares próximos. Se os parentes não existirem, não quiserem, ou não puderem ficar com a criança, ela é acolhida em uma entidade assistencial da cidade para que ela fique protegida”, afirma o promotor da Infância e Juventude, Joel Furlan.

O empresário Maurício Moraes Scaranello, de 35 anos, foi preso na sexta-feira (26) em um condomínio de luxo depois de uma denúncia de tortura e maus-tratos à criança. Além da tortura, foram encontradas no celular do empresário fotos da enteada nua. Segundo a Polícia Civil, a menina estava na casa do empresário trancada e sozinha em um quarto. A mãe, de 21 anos, que também estava no imóvel, negou saber sobre a tortura contra a filha, segundo a polícia.

O depoimento da mãe chamou ainda mais a atenção do Ministério Público. Ela disse à polícia que desconhecia a existência dos vídeos e das fotos. Um vídeo divulgado na segunda-feira (29) mostra o empresário dando uma cebola em vez de maçã para a criança de 2 anos comer. Em outro vídeo que a polícia encontrou no celular do empresário, ele estaria supostamente maltratando a menor; a menina está com muito sono e o empresário não a deixa dormir, dando sustos na criança.

A promotoria entrou com uma ação protetiva, isso significa que uma equipe formada por psicólogos e assistentes sociais vai fazer uma visita na casa da família para saber como a menina é tratada. Dependendo da avaliação e da interpretação do promotor, a criança pode até ser afastada do convívio da mãe.

O Conselho Tutelar de Araçatuba disse que foi informado sobre o caso, mas como a Vara da Infância e do Adolescente da cidade já estava no caso, não deve fazer nada por enquanto. “Como o promotor já está no caso, ele disse que se precisar entrará em contato com o conselho”, diz a conselheira Lídia Galdino.

Segundo o advogado do empresário, William Paula Souza, não houve crime e nem flagrante para que o empresário fique preso. “Pedimos o relaxamento da prisão e, caso não seja concedido, vamos entrar com liberdade provisória e, se necessário, o pedido de habeas corpus. Foi tudo um grande equívoco, pegaram coisas pontuais e transformaram em um crime”, afirma o advogado.

O advogado diz que a decisão do relaxamento da prisão deve sair no máximo até quinta-feira (2). De acordo com o advogado, Maurício não tem antecedentes criminais e tem moradia fixa. “Ele falou que foi tudo brincadeira. No vídeo da cebola não tem uma voz autoritária a mandando comer. Pode ser de mau gosto, mas é brincadeira. Agora não teve violência ou qualquer abuso sexual”, afirma.

Investigações
A menina foi levada ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames. Segundo a polícia, foram constatadas várias queimaduras, provavelmente provocadas por uma cola de alta aderência que o padrasto teria passado no corpo dela. Também havia resíduo químico nas partes genitais da criança. Em depoimento, o homem disse que foi um acidente, informou a polícia.

Peritos da Polícia Civil começaram a verificar nesta segunda-feira (29) os computadores apreendidos na casa do empresário. Os policiais estão analisando o material que vai fazer parte do inquérito e será enviado à Justiça. O laudo da perícia deve ficar pronto até o começo da próxima semana. G1

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