Lixo hospitalar descartado em Mirassol tinha até sangue

A Polícia Civil de Mirassol vai investigar o descarte irregular de lixo hospitalar no ponto de apoio que fica na saída para um trecho na zona rural conhecido como Estrada do Abacaxi. Na segunda-feira, funcionários do Departamento de Agricultura da prefeitura encontraram três galões e uma caixa de papelão com tubos de coleta de sangue deixados em uma das caçambas do local. Segundo a prefeitura, muitos dos tubos ainda continham amostras sanguíneas. Parte dos tubos tinha etiquetas da prefeitura de Ipiguá e a outra parte, segundo a identificação colada nos vidros, era da prefeitura de Nova Granada.

A Polícia Militar, a Vigilância Sanitária e a assessoria de Meio Ambiente de Mirassol foram até o local. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Científica recolheu amostras do material para análise. O restante foi recolhido pela administração pública de Mirassol e levado para esterilização em Rio Preto.

“Assustados”

Procurados pelo Diário, representantes das prefeituras de Ipiguá e Nova Granada se mostraram surpresos e assustados com o fato. Segundo Cristiane dos Reis Especiato, coordenadora de Saúde de Ipiguá, o material coletado é encaminhado ao Hospital de Base e a um laboratório de Nova Granada, que ela não soube informar o nome. “Estamos muito assustados com essa notícia, principalmente porque não sentimos falta de nenhum laudo, todos os exames que encaminhamos tiveram resultado”, afirma.

Já em Nova Granada, as amostras são encaminhadas ao HB e à Santa Casa. No caso das duas prefeituras, o transporte das amostras até o HB é feito por motorista da administração pública. “Nos dias de coleta o nosso motorista, que anda em um carro adaptado para esse transporte, pega o materia, entrega no HB e na Santa Casa e nos entrega um protocolo assinado, confirmando a entrega do material”, explica Daniela Marani Vieira, assessora do Departamento de Meio Ambiente de Nova Granada.

O responsável pelo laboratório de Nova Granada, que atende a prefeitura de Ipiguá, informou que presta serviço há poucos meses e que mantém congelado o que sobra do sangue utilizado nos exames. “Eu guardo para ter material para uma outra análise, caso a primeira seja, por algum motivo, questionada”, afirma Rafael Lopes. Ele não quis informar o nome do laboratório.

O lixo hospitalar das duas cidades e do laboratório de Lopes é recolhido pela empresa GM Ambiental, de Uchoa. Um responsável, que se identificou apenas como Ademir, não quis comentar o caso e disse que presta serviço de transporte desses materiais para a Constroeste. O Hospital de Base informou, em nota, que todo o descarte desse tipo de material é feito dentro das instalações do hospital e segue rigorosamente as normas da Vigilância Sanitária. A Constroeste foi procurada, mas até o fechamento desta edição não enviou resposta.

O delegado Jair de Freitas Benetti, responsável pelo inquérito, informou que todos os que podem ter algum tipo de envolvimento com o transporte desse material serão ouvidos. “Vamos apurar quem deixou esse lixo lá e a pessoa vai responder pelo crime de poluição ao meio ambiente”. A pena para esse crime varia de 1 a 4 anos de reclusão e multa.

Riscos à saúde

O infectologista Vicente Amato Neto alerta para os riscos do descarte irregular desse tipo de material. “Caso haja contato com o sangue ainda vivo (líquido) há o risco do contágio de inúmeras doenças, como HIV, hepatite B e C, infecções por bactérias etc”, afirma. Mesmo o sangue coagulado, segundo ele, pode causar infecções.  DiárioWeb

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