Leite materno: insubstituível, necessário e impossível de comprar

Insubstituível, extremamente necessário e impossível de comprar. Esta é a definição do leite materno para a médica neonatologista da Santa Casa de Votuporanga, Ariele Fazzio, que em entrevista ao Diário reiterou a importância da doação, neste domingo de mães.

Até parece Danoninho
A junção de vitaminas, proteínas e gordura presentes no leite materno não só é nutritiva, bem como faz a criança ganhar peso. Nele, contém anticorpos que ajudam o bebê a combater vírus e bactérias, reduzindo desta forma o risco de asma ou alergias.
Além disso, os bebês que são amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses de vida sem chás, sem água, sem sucos, sem outros leites e sem qualquer outro tipo de alimento líquido ou sólido, têm menos infecções de ouvido, doenças respiratórias e crises de diarreia.

Quero colo 
Existem, no entanto, mães que não podem oferecer a seus filhos algo de extrema importância: o leite. Seja por motivo de doença ou dor, os problemas durante a amamentação também podem existir pelo tamanho e peso da criança.
No caso dos nascidos prematuramente, fica quase impossível amamentar direto do seio. Nesta hora que entram em ação as mães com leite em abundância, que, enquanto esperam o crescimento de seus filhos na Santa Casa, aproveitam para doar para outras crianças.

Amor de mães
É essa a história de Rosimeire Bufalieri Duarte de Oliveira, que aos 39 anos teve seu segundo filho, Enzo Gabriel Duarte de Oliveira, que nasceu no último dia 28. “Vou passar o dia das mães no hospital com meu filho, mas neste momento não consigo ficar triste. Queria leva-lo pra casa, mas só de estar aqui cuidando pra que ele fique bem, já é felicidade pra uma vida.”

O pai, Cleber Luiz de Oliveira, durante a entrevista, comentou que tem “dois filhos famosos.” Questionado, ele respondeu que, quando sua primeira filha nasceu, em 1 de janeiro de 2006, foi feita uma grande matéria no jornal, por ser a primeira bebê do ano.
Hoje, em situação diferente, seu filho é matéria de jornal novamente, com um motivo tanto quanto especial: em comemoração ao dia das mães. “Vou guardar este jornal para sempre,” informou o pai com certo brilho nos olhos.
Rosimeire e seu marido Cleber só poderão levar o filho para casa em alguns dias; por enquanto, ele ainda correria alguns riscos longe do hospital “É melhor você aguardar esses dias. Assim, ele fica crescendo forte e saudável aqui no hospital, se preparando para tudo o que está lá fora o esperando,” informou a médica Ariele Fazzio.
Durante este tempo, segundo a neonatologista, ela poderia liberar a amamentação direta no seio, porém, o esforço da criança faria com que ele perdesse mais peso do que ganhasse.
O leite da Rosimeire alimenta seu filho e inúmeros outros que também o recebem. Por dia, ela contribui com meio litro de leite. “Vou doar enquanto puder, enquanto tiver leite vou contribuir com quem precisar. Entendo a importância desta doação e percebo a carência,” informou a mãe.
“Só tenho a agradecer, pode-se dizer que tenho uma invejinha branca dela por poder oferecer e ajudar a tantas crianças. E o melhor: poder amamentar o próprio filho,” comenta Milene Regina dos Santos Pinto, que demonstra o sentimento das mães que por determinados motivos não conseguem amamentar.
“Tive um problema de saúde, mas segundo a médica ainda poderei amamentar se fizer o tratamento certo.” Ela não desistiu de alimentar sua pequena Sophia Aparecida dos Santos Pinto. Com nome e sobrenome, a bebezinha de quase 1 mês, segundo a mãe, tem todo o apoio da família que também quer pega-la nos braços e dar todo o carinho e amor do mundo.
Histórias como estas, neste dia das mães, não servem somente para emocionar, mas também como um estímulo para todas aquelas mães que possam doar o leite e ajudar a salvar e a construir uma vida.
A doação de leite humano é essencial para a garantia de leite destinado a crianças que dele necessitam. Mas o Banco de Leite ainda é pouco conhecido. Ações pontuais de divulgação entre as próprias mães podem facilitar e muito a vida das famílias.
É comum observar a queda na quantidade de doações ao Banco de Leite Humano de Votuporanga durante os períodos frios. A enfermeira responsável, Maria Alice Guimarães Riva, conta que a cada semana, estão sendo solicitados em média pelo hospital, de dois a quatro litros de leite. No mês passado, 10 litros foram repassados só à UTI Neonatal.
A Secretaria de Saúde oferece o serviço para buscar o leite na casa da doadora, no entanto, não há como disponibilizar um profissional para a coleta. Apesar da pasteurização, processo realizado pelo Banco de Leite, é necessário o armazenamento correto para evitar riscos de contaminação por vírus e bactérias. Para tanto, o BLH fornece os frascos limpos e esterilizados às doadoras, além de uma lista com orientações importantes, passo a passo, para que retirem o leite com o máximo de aproveitamento.

Como doar
O leite deve ser retirado depois que o bebê mamar ou quando as mamas estiverem muito cheias. É importante estar atenta às seguintes recomendações de higiene:
– Escolha um lugar limpo, tranquilo e longe de animais;
– Prenda e cubra os cabelos com uma touca ou lenço;
– Utilize máscara ou fralda para cobrir o nariz e a boca e evite conversar durante a retirada do leite;
– Lave as mãos e antebraços com água e sabão e seque-os em uma toalha limpa.

Como armazenar
O frasco com o leite retirado deve ser armazenado no congelador ou freezer. Na próxima vez que for retirar o leite, utilize outro recipiente esterilizado e ao terminar acrescente este leite no frasco que está no freezer ou congelador. O leite pode ficar armazenado congelado por até 15 dias.
O leite humano doado, após passar por processo que envolve seleção, classificação e pasteurização, é distribuído com qualidade certificada aos bebês internados em unidades neonatais.
Para finalizar a enfermeira responsável pelo Banco de Leite, Maria Alice Guimarães Riva informa que “o leite humano é muito importante para todos os recém-nascidos. Ele alimenta e protege o bebê contra diarreia, infecções respiratórias, diabetes e alergias, porém existem mães que infelizmente não podem amamentar, para estas situações, nós temos o banco de leite humano que recebe, pasteuriza e distribui para as crianças que necessitam”, conta a enfermeira Maria Alice.
Para as mamães que queiram contribuir com um ato de amor às dezenas de bebês que passam mensalmente pela UTI Neonatal de Votuporanga, basta ligar no Banco de Leite, (17) 3405-9787, ramal 9711. Da Redação/Diário de Votuporanga

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