Layra, uma sobrevivente da violência que assola a região

Internada no Hospital de Base de Rio Preto, em recuperação após delicada cirurgia, a estudante Layra Rafaela Rodrigues Duarte, de 13 anos, é sobrevivente de violenta tentativa de estupro. Ela levou um tiro ao fugir do agressor. O caso aconteceu na zona rural de Rio Preto, por volta das 18h50 de segunda-feira, logo após ela descer do ônibus escolar.
Layra não está só. Somente no ano passado, a cada dois dias, um caso de estupro foi registrado na cidade.

Foram 143 ocorrências do tipo em 2015 e outras doze no primeiro bimestre deste ano. Layra é estudante no período da tarde, na escola Sonia Maria Venturelli, no São Deocleciano. Segundo sua mãe, Michele Eleodoro Rodrigues,31, como a família mora em uma chácara, todos os dias, o pai a esperava no ponto de ônibus escolar, que fica a 600 metros da casa.

A tentativa de estupro ocorreu justamente no dia em que o ônibus chegou bem antes do horário de costume e por isso o pai dela não a aguardava. “Minha filha me contou que, do nada, um homem saiu do canavial dizendo que iria estuprá-la. E a todo momento, ele perguntava se ela ainda era virgem, porque queria estuprá-la ”, diz a mãe. Michele afirma que a estudante conseguiu escapar quando o estuprador tentava tirar dela a bolsa com material escolar.

“De raiva, ele deu um tiro que atingiu a barriga da minha filha. Por sorte, a bala saiu nas costas, sem atingir qualquer órgão vital”, diz a mãe. Mesmo ferida e sangrando, Layra conseguiu ajuda no sítio vizinho, para ser levada para casa. Uma equipe do Samu foi chamada e estancou o sangramento na barriga. A jovem foi encaminhada para o Hospital de Base, onde foi operada e continua internada em recuperação.

Outro caso

No mesmo dia, a poucos metros dali, o ajudante geral Francisco Antonio de Sousa, de 59 anos, foi atingido por um tiro quando pescava no lago do Sindicato dos Comerciários. A bala entrou pelas costas e saiu pelo abdômen. A vítima foi socorrida na UPA Jaguaré e está fora de perigo. O delegado André Balura, da DIG, vai investigar se há ligação entre os dois crimes. A Polícia Militar chegou a prender um suspeito, mas foi solto porque não pode ser reconhecido pelas vítimas que estavam sedadas após operações para reparar os ferimentos.

Lei obriga ônibus a parar em local seguro

Para garantir mais segurança para as mulheres no período noturno, há quinze dias está em vigor uma lei municipal que obriga ônibus de transporte coletivo de Rio Preto a parar no local mais seguro para passageiras. A regra vale para embarque e desembarque apenas para mulheres, a partir das 22h horas. A parada tem de ser em algum trecho que faça parte do trajeto. A medida serve para impedir que elas sejam vítimas de assaltos e estupros.

“É arriscado chegar à noite em casa. Essa lei chegou em boa hora”, disse a dona de casa Rosemeire da Cruz, moradora da zona norte. A estudante Vânia Silva, 16 anos, moradora do Jardim Santo Antonio, afirma que por medo, a família criou escala para pegá-la no ponto de ônibus quando chega do serviço. “Minha mãe vai me buscar, mas ela também é mulher, portanto, também pode ser uma vítima, enquanto me espera”, comenta a estudante.

Proteção depende de série de ações

Para especialistas, a segurança para as mulheres depende de um conjunto de fatores, e não apenas de ações isoladas.
“Precisa investir em melhoria na iluminação pública para acabar com as ruas escuras, principalmente em áreas desertas, cortar o mato em terrenos baldios que pode esconder os estupradores e aumentar o patrulhamento nas regiões mais perigosas para intimidar os bandidos”, diz a advogada Deise Benedito, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.

Outra proposta da assessora do órgão federal é divulgar em ônibus e espaços públicos as fotos dos estupradores condenados, para alertar outras mulheres e identificar mais vítimas que ainda não tenham feito denúncia. “Desde que comprovada a sua prática para não haver linchamentos desnecessários”, argumenta Deise.

Marco Antonio dos Santos – diarioweb.com.br

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