Laudo aponta fio de câmera desencapado na morte de Lucas

Lucas Antônio Lacerda da Silva morreu em fevereiro em São Paulo

Um laudo técnico do Instituto de Criminalística (IC) confirmou um fio desencapado em uma das câmeras que monitoravam o pré-carnaval de São Paulo e que pode ter sido a causa da morte do estudante Lucas Antônio Lacerda da Silva, 22. Ele foi eletrocutado após encostar no poste em que estava a câmara de segurança.

Em um dos quesitos do laudo obtido pelo Diário, a perícia conclui que “o evento de energização do poste metálico se deu por ausência de isolamento de partes vivas de condutores elétricos instalados no interior da Caixa de Proteção das câmeras de segurança”.

A perícia concluiu também que “a presença de cabos elétricos seccionados no interior da caixa de proteção com seus núcleos de cobres condutores expostos sem isolamentos é resultante de descuido e desrespeito às normas técnicas que tange ao isolamento de partes vivas de condutores elétricos”. Outro trecho revela ainda que “o choque elétrico resultou da inobservância de regra técnica da profissão”.

O fio desencapado teria feito com que o poste se transformasse em condutor de energia, causando o choque em Lucas e levando a sua morte. Outra questão a ser resolvida pelo inquérito policial é a própria instalação do poste. A empresa responsável, GWA Systems, teria instalado o poste metálico em local não autorizado pela Prefeitura de São Paulo. “Não havia autorização para a instalação do poste metálico pegando energia do poste da Ilume (departamento de iluminação de São Paulo), apenas acordo verbal, caracterizando uma ligação irregular”, disse Alexandre Carvalho, advogado da família de Lucas.

O Diário tentou contato com o delegado responsável pelo inquérito, mas a Polícia Civil informou em nota que a investigação do caso segue em andamento pelo 4º DP (Consolação) e que o delegado responsável recebeu o laudo complementar e o documento está sendo analisado.

Em nota, a Dream Factory afirmou que segue colaborando com as investigações e aguarda a conclusão do inquérito. A reportagem tentou contato com a GWA Systems, mas até o fechamento da matéria não recebeu o posicionamento da empresa.

A prefeitura de São Paulo disse que desconhece o teor do laudo do Instituto de Criminalística e aguarda a conclusão das investigações para adotar as medidas necessárias. A prefeitura reafirmou ainda o lamento pela morte do estudante.

Revolta

Estudante de engenharia biomédica, Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, morreu eletrocutado no dia 4 de fevereiro deste ano. Natural de Cardoso, ele morava em Santo André desde 2015 e estudava na Universidade Federal do ABC. Na ocasião, ele participava do Bloquinho de Carnaval Acadêmicos do Baixo Augusta quando, à procura de um banheiro, se apoiou no poste e sofreu uma descarga elétrica.

“Este laudo reafirma o que já havia sido especulado. Estamos agora esperando a instauração do inquérito, que irá apontar definitivamente os possíveis responsáveis pelo acidente que causou a morte do Lucas. Agora começa o jogo de empurra-empurra, sem que ninguém assuma sua responsabilidade”, afirmou Cláudia Lacerda, tia de Lucas.

(Colaborou Victor Stok – diarioweb.com.br)

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