Agressores de Tonny serão julgados dia 30 de agosto

Acontece no mês de agosto, um dos julgamentos mais aguardados da história de Votuporanga.  Flávio Malavazzi e Marcelo dos Santos vão a júri popular pela acusação de serem co-autores do espancamento de Tonny Pires Custódio, em 2010, em frente à uma casa de shows da cidade. Hoje com 27 anos, Tonny tenta levar uma vida normal, mas ainda convive com sequelas das agressões. Entre os golpes, ele teve a cabeça chutada várias vezes durante as agressões. Apesar de ter sido vítima de tamanha brutalidade, o jovem vive uma vida sem rancor.

O caso da violência sofrida por Tonny ficou famoso por gerar discussão sobre a proibição das festa na modalidade open bar na cidade. Tonny ficou vários dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) da Santa Casa de Votuporanga, mas hoje se dedica aos livros e dá palestras. O objetivo dele é se tornar seminarista e seguir uma vida religiosa. “Minha vida está de um modo diferente. Estou fazendo tudo o que não pensava em fazer antes daquela noite. Estou estudando, dando palestras motivacionais, para uma vida melhor, não só a minha, mas as de outras pessoas. Foi uma reviravolta”.

Perdão
Questionado sobre qual foi o momento mais difícil em seu período de recuperação, se foi quando ficou em coma, no período em que conviveu com sequelas que lhe impediam até de comer, o jovem surpreendeu com sua simplicidade. “Foi quando fiquei sabendo do primeiro julgamento. Lógico que, quando a gente que vai à igreja, todos os irmãos falam em perdoar, e nos primeiros momentos eu disse sim.
Mas no dia antes do julgamento, criou revolta no meu coração. Como vou perdoar uma pessoa que acabou com a minha vida? Sim, ele vai ser preso, vai ficar uns tempos lá, mas depois sair e vai estar com o corpo inteiro, diferente de mim. Nesse momento, meu coração se fechou. Até que o juiz (Jorge Canil), que foi como Deus, fez a primeira pergunta dele no julgamento que é: você perdoa? E com, o coração livre, eu disse que sim. Foi um dos grandes momentos da minha vida, em que meu coração começou a pulsar em Deus”, disse Tonny. 
No primeiro julgamento, em dezembro de 2010, Jhonatan Júnio dos Santos foi condenado a 12 anos e oito meses de prisão. Hoje, Tonny está se preparando para o julgamento de dois outros jovens, acusados de terem praticado as agressões. Ao ser perguntado sobre como está se preparando para mais uma batalha, o jovem deixa tudo com a justiça. “Para mim, não é um batalha. É algo diferente. Infelizmente, uma irresponsabilidade e más amizades deles que causaram esse momento”. 

Música
Na parede do quarto de Tonny está escrita a letra de uma música, que, segundo familiares, foi sussurrada pelo jovem no momento em que ele despertou do coma. “Oi Jesus. Entra na minha casa, entra na minha vida. Mexe com minha estrutura, sara todas as feridas. me ensina a ter santidade, quero amar somente a ti. Porque o senhor é meu bem maior, faz um milagre em mim”.
Sobre o futuro, Tonny diz não ter pressa e que tudo vai se acertar no momento certo. “Meu planejar não está no agora, está no futuro, onde vou levar essa minha vida, de dificuldades momentâneas sim, mas de muita fé. Onde eu puder levar minha palavra de que Deus está com todos, não só para alguns, eu vou levar”, prometeu o jovem.

Defesa
O processo sobre o caso está em apreciação da promotoria e da defesa. Assim que voltar para o cartório do Fórum, ficará a cargo do juiz Jorge Canil agendar o sorteio dos 25 jurados e marcar a dada do júri popular. Será o vigésimo julgamento do ano na Comarca.  Os advogados criminalistas Marcus Gianezi e Elissandra Martins Guimarães Gianezi, vão defender Marcelo dos Santos, e Douglas Fontes, fará a defesa de Flávio Malavazzi.
Em entrevista, Marcus Gianezi disse que trata-se de um caso muito complexo, que comoveu a população de Votuporanga e também da região, mas que há dúvidas na participação de Marcelo no espancamento. “A nossa estratégia é a negativa de autoria. Se o Marcelo não teve participação nas agressões, na briga perto da boate, ele não pode ser responsabilizado. Nós negaremos a autoria”, afirmou.
O advogado coloca a dúvida em xeque pelas declarações de um segurança à Polícia Civil, na fase de investigação, que em primeiro momento não citou Marcelo como um dos agressores, mas apenas depois. Ele também pretende mostrar, por meio do depoimento de outras testemunhas oculares sobre o fato, de que o réu não foi visto agredindo Tonny. A expectativa é que o julgamento seja agendado para o início de agosto.

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