Juiz de Direito diz que Escolas devem expor seus problemas

“Se a escola não torna público seus problemas, todos imaginam que tudo está bem, inclusive o Judiciário”, afirma Evandro Pelarin

O comportamento dos alunos nas escolas públicas atualmente está abaixo das expectativas dos professores. Segundo o Juiz de Direito, Evandro Pelarin, indisciplina, desrespeito aos professores, colegas e desinteresse no aprendizado estão comuns e persistentes em qualquer lugar.

O Juiz respondeu exclusivamente para a reportagem do Votunews sobre o que fazer quando a Direção de alguma escola não tem mais controle sobre a disciplina dos alunos.

“Na minha opinião, transparência. Admitir, publicamente, o problema e envolver a sociedade na busca de soluções, além dos pais e das autoridades”. Para o juiz, a escola é o lugar tipicamente público de uma cidade, de interesse de todos e não é possível resolver questões em locais públicos sem o envolvimento da sociedade. “Até porque as pessoas, na sociedade, podem imaginar que não há problemas ou que eles são pequenos e devem ser resolvidos só pela escola. Temos que chamar a sociedade à responsabilidade pelo ensino, que é dever de todos. Não apenas dos professores e da direção da escola”, relata.

No caso de ameaças, agressão física ou verbal aos professores ou alunos, ou alunos envolvidos com drogas, por exemplo, o Juiz afirma que não dependem da Diretoria querer ou não que os problemas sejam à ela levados. “Devem ser denunciados ao Conselho Tutelar, Polícia e Ministério Público pelo próprio professor”.

Por outro lado, alguns tipos de indisciplina e desinteresse não podem ser rotineiramente elevados de importância, pois isso traz foco demais para o desordeiro ou desinteressado; “a escola tem mecanismos internos para enfrentar tais situações, como, por exemplo, o professor mediador. Assim, temos que escalonar os tipos de problemas para as soluções a eles adequadas” esclarece Pelarin.

Atitude

Existem muitas situações que professores são ameaçados e a Direção passa por cima do problema e até os proíbem de fazerem boletim de ocorrência. Para Evandro Pelarin, se os problemas forem graves, como ameaças, agressões ou drogas, por exemplo, não é possível crer que a Direção não queira combatê-los, o que passa pela denúncia deles às autoridades. “Eu não creio que a Direção de uma escola tente coibir o enfrentamento, até porque, no limite, haveria séria irresponsabilidade da Direção, para ficar no mínimo. De todo o modo, a melhor forma de começar a combater o problema é a transparência e o diálogo”.

Poder Judiciário

O Juiz ainda esclarece a forma como a os Professores e a Escola podem conseguir ajuda ao Poder Judiciário sem que sejam “condenados” por quererem se defender. “O Judiciário é uma força auxiliar da escola. Não é uma força permanente, dentro da escola. O Judiciário, como força auxiliar, não responsabiliza professores que partem para o enfrentamento dos problemas. Ao contrário. Apoia, aplaude e ajuda”.

Segundo Pelarin, “assim como toda e qualquer relação, não podemos deixar esfriar a que se estabelece entre a escola e o Judiciário. É importante que tenhamos contato permanente, por meio de reuniões, conversas e debates. Precisamos estar perto um do outro. Como já mencionei antes, se a escola não torna público seus problemas, todos imaginam que tudo está bem, inclusive o Judiciário”. Paola Munhoz/Votunews

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password