O reencontro emocionado entre o jovem indígena Liberato Benítez Cáceres, de 19 anos, e sua família marcou a sexta-feira (26) na comunidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Desaparecido desde o final de outubro, o rapaz foi localizado desorientado em uma área de mata no interior de São Paulo, a mais de 800 quilômetros de sua aldeia de origem. Um registro em vídeo capturou o momento em que Liberato desceu de um veículo e foi recebido com abraços pela mãe e parentes, encerrando uma jornada de incertezas que durou quase dois meses.
A trajetória de Liberato em solo brasileiro começou a ser desvendada no dia 18 de dezembro, quando ele foi avistado caminhando sem rumo próximo ao município de Novo Horizonte. Após ser acolhido pela Casa do Caminho, em São José do Rio Preto, uma equipe multidisciplinar iniciou um complexo trabalho de assistência. Como o jovem fala apenas guarani e possui indícios de deficiência cognitiva, foi necessário o auxílio de um tradutor para entender sua história. Ele relatou ter cruzado a fronteira com um grupo que descreveu como “médicos bolivianos”, por quem teria sido abandonado posteriormente. Embora a polícia trate essa versão como suspeita, ainda não há confirmações oficiais sobre como o transporte ocorreu.
Para identificar o jovem, que não portava documentos, os assistentes sociais realizaram uma busca detalhada na internet e em redes sociais. O ponto de virada na investigação foi a descoberta de uma notícia publicada por uma rádio paraguaia no dia 22 de dezembro, que relatava o sumiço de um indígena com características idênticas às de Liberato. A partir dessa pista, as autoridades brasileiras conseguiram estabelecer contato com os familiares no Paraguai e confirmar a identidade do rapaz, que até então sobrevivia pegando caronas e caminhando por rodovias.
Antes de retornar ao seu país, Liberato recebeu cuidados médicos para tratar um quadro febril, além de alimentação, roupas novas e itens de higiene. O processo de repatriação envolveu uma força-tarefa entre o setor de Desenvolvimento Social de Rio Preto, as autoridades paraguaias e a Polícia Federal brasileira. Após todos os trâmites legais e de saúde, o jovem pôde finalmente voltar para casa, encerrando um caso que mobilizou diversos setores da assistência social na região noroeste paulista.












