Jovem de Votuporanga se prepara para ser Padre

São quase dez anos de preparação, duas graduações em filosofia e teologia, e muito amor ao próximo; Fernando Arantes comenta o Celibato e as dificuldades nesta nova fase

Com 19 anos, Fernando Arantes, de Votuporanga, estuda para ser padre. “Seguir as palavras de Deus, viver esta experiência e anunciar o nome de Jesus. Esta é minha meta de vida. Meus objetivos se resumem em fazer o bem ao próximo,” comentou o jovem que, desde o dia 24 de Janeiro, está no Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Paz estudando Filosofia e Teologia, traçando o caminho para se padre.

Durante o tempo livre, Fernando deu entrevista à nossa equipe e revelou os próximos passos da nova jornada de sua vida. “Farmácia, talvez, fosse a minha futura profissão se a ternura de Deus não tivesse me tocado da forma como o fez,” explicou o jovem que demonstra amor pela Igreja e por Jesus Cristo, evidentemente. Amor este que é, segundo ele próprio, determinante para a escolha da vocação sacerdotal.

Boa parte dos que estão no Propedêutico conta que a vocação foi descoberta muito cedo, entre a infância e a adolescência. “Desde que me conheço por gente estou dentro da igreja, sempre acompanhando as missas com minha família, novenas, terços, sempre próximo da igreja e das suas benfeitorias”, comentou o jovem Fernando.

Formado no ensino médio em 2014, pela escola estadual Prof.ª Uzenir Coelho Zeitune, ele começou a se decidir em relação ao seu futuro ainda na escola e recebeu total apoio. “O padre Márcio Tadeu foi uma grande referência para que eu tomasse esta decisão.”

Fernando explica que, por iniciativa do pároco, desde o meio do ano passado viaja para Rio Preto e mesmo, antes de terminar os estudos, já desenvolvia testes vocacionais para se tornar padre.

Vocação
Para se tornar padre é necessário que o candidato passe por um discernimento de sua vocação, no qual se possa refletir sobre suas reais motivações e aptidões para a vida sacerdotal. Isso é realizado por meio de um levantamento do histórico pessoal, ou seja, o conhecimento da vida do jovem nos seguintes níveis: familiar, comunitário-eclesial, afetivo-sexual, socioeconômico e intelecto-cultural.
Nos 8 anos de estudo são abordados assuntos como literatura, geografia, liturgia bíblica, história, filosofia, metodologia cientifica, espiritualidade e catecismo da Igreja Católica. “Só tenho como visitar a família em feriados prolongados, pois aos fins de semana fico em uma paróquia.” E, mesmo com a distância de amigos e familiares, ele não apresenta nem uma vontade ou arrependimento por parte de abandonar este grande sonho. “Entrei com fé e coragem, e assim vou permanecer. Meu Deus é forte” explicou o estudante. Os seminaristas têm uma agenda cheia durante a semana. O dia para alguns começa às 6h30, com a primeira oração. Depois do café da manhã, têm aulas praticamente todos os dias sobre vários temas, como formação humana, temas de espiritualidade e da igreja, música, comunicação e filosofia.
Questionado sobre o desapego sexual, ele afirma que “não é fácil lidar com o celibato, porém, não é impossível, se nos concentrarmos no amor de Deus e na pureza da alma,” comentou o jovem seminarista em entrevista ao Diário.
O pároco da Senhor Bom Senhor Jesus de Votuporanga, Marcio Tadeu Reiberti Alves de Camargo, reafirmou que não é uma tarefa fácil e alguns desistem no meio do caminho.
“Mas aqueles que têm realmente a vocação seguirão neste caminho pelo resto de suas vidas,” disse o padre que lembrou a diminuição no número de jovens querendo se tornar padres.
“Temos muitos jovens nas igrejas, porém, poucas famílias na atualidade colocam a fé e Deus em 1° lugar. Muitos deixam em segundo ou terceiro plano.” Ele comenta que o desapego da família influencia muito. “O padre, há alguns anos, era visto como uma divindade, e muitos queriam isso para si. Hoje, com esta distanciação de algumas famílias da igreja, esta realidade é diferente.”
Márcio Tadeu explica, no entanto, que existem sim padres se formando, porém os anos são sazonais e variam muito. “A vocação está dentro de cada cristão. Precisamos descobrir quem pretende exercê-la da melhor forma”. finaliza. (Colaborou: Mateus Paióla)/Diário de Votuporanga

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