Jovem de Votuporanga escreve sobre as feiras da cidade

EU REPÓRTER

Matheus Fernandes de Barros

“Olha a verdura, dona de casa. Venha experimentar o abacaxi, docinho igual o mel”. Essa frase lembra alguém? Se pensou em feirante, é claro que acertou.

 

Seja em cidades grandes ou pequenas, não é só de segunda a sexta que tem feira, sábado e domingo também. Esses profissionais têm o dom de transformar as ruas e praças em verdadeiros shoppings populares ao ar livre.

Sob o sol ou a chuva, esses heróis do comércio tradicional resistem à passagem do tempo. A freguesia fiel confia na palavra e no peso do que é vendido. Os supermercados, mais confortáveis, se popularizaram ao longo dos anos. Porém, muitas pessoas não resistem e não abrem mão de ir às feiras. “Aqui a qualidade é muito maior, pagamos tudo com gosto”, diz a dona-de-casa Sonia Alves Ferreira, de 38 anos.

Segundo o professor de História Leandro Almeida Neves, as feiras que vemos todos os dias em nossas ruas se originam na Idade Média. “A partir do século 11, novas técnicas de plantio aumentaram a produtividade europeia, gerando sobras. No mesmo período, as Cruzadas romperam com o isolamento comercial imposto pelos muçulmanos e diversos produtos orientais chegaram ao continente”, explicou.

Alex Pelicer

 

De acordo com o professor, o surgimento de duas frentes de comércio, impulsionou as feiras pela Europa. “O eixo norte comercializava peles, mel, cera, peixes, sal e lã, enquanto o eixo sul se dedicava aos produtos orientais como seda, açúcar, tapetes e especiarias.

As feiras medievais surgiram exatamente no entroncamento destes eixos, sendo a de Champanhe, no norte da França, a mais importante”, afirmou. Segundo dados da Prefeitura de Votuporanga, na cidade existem 6 feiras com cerca de 100 feirantes funcionando de terça à domingo. Os moradores do bairro Cecap, em Votuporanga, aguardam ansiosos a sexta-feira. Para eles, esse é o verdadeiro dia de feira.

Embora com pouco tempo de existência, dois meses, o público é grande. O presidente da Comissão de Feirantes de Votuporanga, Geraldo Dias, de 68 anos, diz que pretende aumentar a feira. “Estamos planejando expandir para o outro lado da praça. O movimento está cada vez maior.”, afirmou.

Alex Pelicer

 

Geraldo não é um presidente que fica parado em um escritório. Ele é feirante e tem uma rotina cansativa. “Acordo às duas horas da manhã para ir ao Ceasa de Rio Preto. Só retorno às nove horas”, conta. Em sua barraca, que funciona há 26 anos, ele vende de banana a pequi. “Eu gosto muito da feira, pois ela nos traz novas amizades”, disse. Geraldo tem poucas horas para descansar. Durante os dias úteis, a feira começa às 15h e só termina quando está escuro, às 22h.

Como é costume entre os feirantes, o preço muda ao longo do dia de serviço. Quando a feira está no fim, muitos itens ficam mais baratos. Essa promoção tem um motivo óbvio. “Eu costumo colocar alguns itens mais baratos, porque o que sobra está em pouca qualidade”, conta.

Alex Pelicer

 

O tradicional pastelzinho também está presente nas feiras votuporanguenses. O preço varia de R$ 3,50 a R$10. O valor pode parecer um pouco alto, mas isso não impede a freguesia de desfrutar do famoso alimento cheio de calorias. Nilza Anastácio Nossa, de 56 anos, dedica a vida a essa iguaria culinária. Junto com seu sobrinho e uma amiga, ela toca uma barraca de pastéis. “O pastel de carne e frango são os mais vendidos, eles são tradicionais. Um sabor diferente, queijo com bacon, também sai com muita frequência”, disse Nilza, cheia de orgulho e felicidade.

Além do pastel, outro alimento, um pouco mais doce, atrai os clientes da feira. Ivete Lóbis, 36, com muita responsabilidade, está por traz de um dos churros mais tradicionais da cidade. Ela atua como feirante desde 2005 e tem uma agenda apertada. Durante toda a semana, a rotina de fazer a massa e os recheios se repete incansavelmente. “Faço parte das feiras de terça, quarta e quinta”, conta Ivete.

Alex Pelicer

Jornada dupla

Quem acha que a feira é feita só de frutas e pastéis está muito enganado. Marcelo Vinicius Campos Amédi, 26, vende produtos que alimentam a cultura ao invés do corpo. Em sua barraca é possível encontrar livros, gibis, DVDs, CDs e até discos de vinil. Marcelo é novato nas feiras. Feirante apenas há um mês, ele assume gostar do trabalho mesmo trabalhando 12 horas por dia. Nas terças, quintas e sextas, ele deixa seu sebo e se transforma em feirante. Ele conta que chega a vender trinta livros por noite. “Para vender livros, tudo depende do movimento e da sorte”, afirmou Marcelo.

FEIRAS:

– Terça das 15 às 22h – Praça Santa Luzia
– Quarta das 15 às 22h – Praça Antônia Brazadin Romeiro, Pozzobon
– Quinta das 15 às 22h – Praça São Bento
– Sexta 15 às 22h – Praça Nozomu Abe, Cecap II
– Sábado – 6 às 13h – Praça Joaquim Ferreira Junior, Vila Paes
– Domingo – das 6 às 13h – rua São Paulo entre as ruas Piauí e Mato Grosso

QUEM É:

Matheus Fernandes de Barros, autor da reportagem, é estudante e tem 14 anos. Ele mora em Votuporanga e ama ir à feira. Seu sonho é se tornar jornalista

Fonte: Colaborou Salomão Boaventura  diarioweb.com

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