Indústria da região corta 1,45 mil vagas em novembro

A indústria da região de Rio Preto continua em baixa na geração de empregos. Em novembro, a região coberta pela diretoria de Rio Preto do Centro das Indústrias do Noroeste Paulista (Ciesp), que compreende 102 municípios, registrou uma queda de 1,49%, o que significa aproximadamente 1.450 postos de trabalho a menos no período. Esse é o pior resultado para um mês de novembro desde 2011, quando o setor fechou o mês com baixa de 4,38%.

Historicamente, o mês de novembro é um mês com mais demissões que contratações. Nos últimos dez anos, apenas em 2006 e 2007 a região fechou o mês com resultados positivos. Além disso, novembro passado teve o segundo pior resultado do ano até agora, atrás apenas de julho, quando o setor registrou queda de 1,58%. Esse também foi o terceiro pior resultado dos últimos 12 meses e o sétimo mês consecutivo de baixa no setor na região durante 2014.

Com mais um mês negativo, o acumulado do ano na regional já chega a -4,39%, o que representa uma queda de aproximadamente 4.400 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses a situação é ainda pior, com um acumulado de -8,48%, ou seja, aproximadamente 8.850 postos de trabalho a menos nesse período. Para Luiz Fernando Lucas, diretor da regional de Rio Preto do Ciesp, estamos sofrendo as consequências de uma crise anunciada. “Não foi uma crise que apareceu do nada, é uma situação que vem crescendo há muito tempo.

É uma morte anunciada e parece que ninguém faz nada. Estamos passando por uma desaceleração econômica e uma forte desindustrialização”. O mais agravante de tudo, segundo Lucas, é o efeito cascata que a situação pode causar. “A indústria é a base da economia e se essa situação permanecer pode se alastrar para outros setores da economia”. A pesquisa mensal de emprego feita pelo Ciesp leva em consideração 22 setores da indústria.

Desses, apenas cinco tiveram desempenho positivo durante o mês de novembro na região, sendo o de produtos de minerais não-metálicos o que obteve o melhor resultado, alta de 1,18%. Também fecharam em alta no período os setores de bebidas, 0,72%; de produtos de borracha e de material plástico, 0,37%; de impressão e reprodução de gravações, 0,26%; e de móveis, 0,22%. Já os setores de produtos de madeira, de produtos farmoquímicos e farmacêuticos e de produtos diversos se mantiveram estáveis durante novembro, sem nenhuma variação.

Entre as baixas, os setores de coque, petróleo e biocombustíveis (-10,78%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,80), de celulose, papel e produtos de papel (-2,73%) e de máquinas e equipamentos (-1,97%) foram os que mais influenciaram no resultado negativo de novembro. No acumulado do ano, o setor de pior desempenho foi o de produtos de minerais não-metálicos, com queda baixa de 24,34%.

Segundo Lucas, esse cenário aponta para um 2015 de dúvidas. “O próximo ano é um grande ponto de interrogação. Não sabemos o que esperar. Estamos em um momento muito crítico, os juros aumentaram, o dólar está valorizando e nosso dinheiro desvalorizando, os impostos continuam altos e o desenvolvimento do País não acompanha”.

Estado enfrenta o mesmo drama

O nível de emprego da indústria paulista caiu 0,86% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal. Na mesma base de comparação, o Índice de Nível de Emprego caiu 1,43% na série sem ajuste sazonal. Ao comparar novembro de 2014 com o mesmo mês do ano passado, o nível de emprego caiu 5,56%. Já no acumulado do ano até novembro, foi registrada queda de 3,35% no nível de emprego, com 88 mil demissões.

De acordo com o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, as condições para a indústria do País no ano que vem se mostram “péssimas” e requerem um trabalho “fantasticamente grande” de recuperação. “Há muito tempo que a federação fala sobre a necessidade de medidas urgentes para a indústria.
Não é de agora que a indústria necessita de ações rápidas. Da visão de que o setor está indo mal nós estamos roucos de tanto falar. Talvez percamos a voz antes de sermos atendidos”, afirmou. Em números absolutos, a indústria paulista teve um saldo de 36,5 mil demissões em novembro ante outubro. Na comparação com novembro de 2013, a entidade registrou 148 mil demissões no mês passado. Beto Carlomagno/DiárioWeb

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