Homofobia na escola: pais devem auxiliar os filhos antes de todos

O bullying nas escolas é um problema considerado grave na vida dos adolescentes e nos casos de homofobia o resultado é ainda pior.

 

Um estudo realizado em 501 escolas de 27 Estados brasileiros, feito pela Fipe ( Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostrou que em 2009, 87,3% das pessoas sofreram algum tipo de preconceito relacionado a orientação sexual.

 

A pesquisa foi feita com questionários aplicados em 18.599 pessoas, dentre elas, estudantes, professores, diretores e pais. No resultado, também foi confirmado que 98,5% dos entrevistados desejavam manter certa distância dos homossexuais.

 

Segundo Edith Modesto, terapeuta especializada em diversidade sexual, além da homofobia nas escolas, a situação fica ainda pior porque os filhos em poucos casos encontram o apoio em casa. “Se uma criança sofre preconceito por ser negra, ela chega em casa e fala com a mãe, que vai reclamar com a professora, a diretora. Os jovens gays, geralmente, não têm com quem falar, porque os próprios pais não aceitam sua orientação sexual”, afirma Edith.

 

A especialista ressalta que o primeiro passo dos pais para ajudar os filhos é aceitando-os completamente. “O preconceito está diminuindo, mas, dentro de casa, mudou muito pouco. Os jovens ainda têm medo de contar para família que são gays. Se tiverem a aceitação dos pais, saberão que podem contar com eles para ajudá-los”, diz a terapeuta.

 

O educador Caio Feijó alega que o primeiro preconceito que os jovens que são gays sofrem, acontece na própria casa. “A primeira discriminação acontece quando os pais sabem. Por mais que eles tenham uma cabeça aberta, a maioria não fica feliz, pois tem receio de que o filho sofra com o preconceito da sociedade”, afirma Feijó.

 

Segundo a professora de políticas públicas, Maria Cristina Cavaleiro, os pais devem buscar ajuda para que eles consigam lidar com a homossexualidade do filho, senão o filho acabará escondendo a própria orientação. “O primeiro lugar que pode e deve oferecer segurança para o jovem é a casa dele. É preciso ouvir quando ele falar sobre sua orientação, e sem recriminá-lo. O jovem está cansado de ouvir piadas e ver os gays serem apresentados de modo preconceituoso na TV. Ele tem muita angústia dentro dele”, afirma Maria.

Edith explica também que há uma dificuldade grande na aceitação por parte dos pais. “Eles foram criados para terem filhos héteros, e os filhos aprendem, desde criança, que devem ser assim, que os sonhos dos pais foram construídos para isso. Muitos jovens me procuram perguntando como fazem para serem héteros, iguais ao pai, à mãe. Os filhos ficam tristes ao ver que os pais têm dificuldade para aceitá-los. Os adultos precisam entender que eles são assim, não escolheram ser”, diz a terapeuta.

 

Confiança

Os especialistas ressaltam que pensar em situações que os filhos podem enfrentar nas escolas, além de preparar cada um deles, não é o melhor caminho para poder ajudar eles de fato. Edith ressalta que só se deve falar sobre o assunto se isso vier a acontecer. “Por mais que pareça que os jovens não ouvem os pais, tudo o que a família diz tem grande importância para eles. Se os pais sugerirem possíveis problemas, eles podem ficar com medo e se sentirem ansiosos sem necessidade”, afirma a terapeuta.

 

O psicólogo Klecius Borges que atua na área de terapia afirmativa para gays e orientação familiar há anos, diz que os pais é que devem preparar os filhos para as possíveis situações preconceituosas, além de aceitá-los como eles são sem criticas, ou opressões, além de ensinar que as pessoas são diferentes e que não há nada de errado nisso. “Com amor e apoio, os filhos acabam tendo maior autoconfiança para lidar com os problemas, incluindo a homofobia”, afirma Borges.

 

Feijó diz que se os adultos ensinarem os filhos a terem maior autonomia, além de ensinar cada um deles a lidar com as frustrações, passando valores como cidadania, moral e ética, os jovens terão capacidade para se protegerem sozinhos.

Cíntia Souza

de Catanduva

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