Homem de 54 anos morre com gripe suína na região

Rio Preto registrou ontem a primeira morte do ano por gripe suína (H1N1). O caseiro Antônio Melo de Oliveira, 54 anos, morreu na noite desta segunda-feira, após oito dis internado na UTI da Santa Casa com gripe suina, a H1N1.

Antes de chegar ao hospital, entretanto, a família afirma que ele passou mais de quatro vezes pela UPA Norte com febre, tosse, dificuldades para respirar e, mesmo assim, foi diagnosticado com dengue. “Nem uma chapa do pulmão dele fizeram. Ele internou e já precisou ser entubado um dia depois porque já estava morrendo”, lamenta a sobrinha Ana Paula Zagatto.

É a terceira família que faz o mesmo tipo de reclamação em menos de um mês. Outras duas pessoas morreram após ser diagnosticadas e tratadas por dengue, mas sofrerem de outra doença. Uma delas, Noeli Pereira, 49 anos, estava com leptospirose, mas o diagnóstico só veio dias após a morte, depois de a mulher peregrinar por unidades de saúde e hospitais durante uma semana.

A família do aposentado Ananias Francisco Pereira, 73 anos, se surpreendeu quando o diagnóstico de dengue foi descartado pela Secretaria de Saúde. “Nós fomos informados de que ele tinha dengue e até agora não sabemos do que o meu pai morreu”, relatou ontem Antônio Castro Alves, filho de Ananias. O laudo do SVO (Serviço de Verificação de Óbito) ainda não chegou até a família.

Pescaria

Na útima vez em que viu o irmão Antonio antes da UTI, José Fernando de Oliveira conta que os dois foram pescar. “Ele não tinha tristeza. Estava sempre brincando. Meu irmão saiu da minha casa bem e depois de uma semana já estava entubado”, disse, acrescentando, ontem, no velório: “Por causa dessa situação horrível em que está a Saúde, hoje ele está no caixão”, acusa José Fernando.

Para quem vive a perda, é difícil encontrar consolo. “Eu não consigo acreditar que o Antônio morreu, porque se ele tivesse sido medicado desde o começo para a gripe, poderia ter ficado bom”, diz José Fernando. Ele e a sobrinha Ana Paula relatam que o homem começou a procurar atendimento pela UPA Norte na primeira semana de abril. “Quando ele começou a ter febre, se sentir mal, já foi na UPA”. A família diz que o caseiro não tinha problemas de saúde. “Ele não tinha nadinha. Estava bom”, garante José.

Na UPA, os médicos teriam feito exames que ajudam a encontrar o diagnóstico da dengue. “Deu negativo e nem assim eles perceberam a gripe. Continuaram tratando como se fosse dengue”, garante a sobrinha. O caseiro teria sido orientado a tomar apenas dipirona e paracetamol, remédios indicados na dengue e que não resolvem a gripe.

Desatenção e pressa

O médico infectologista Renato Ferneda avalia que faltou atenção e sobrou pressa. “Para mim, nesse caso parece que faltou uma consulta bem feita, exames clínicos atentos. O quadro pulmonar diferencia a gripe da dengue”. Ele acredita que se os médicos da unidade de atendimento tivessem feito um raio-x do pulmão de Antônio, chegariam ao diagnóstico com mais facilidade. “O raio-x já mostra se o pulmão está comprometido”.

Os exames que confirmam a dengue, feitos pelo município, tem demorado cerca de vinte dias para ficarem prontos. Ainda que eles sejam essenciais no diagnóstico, Ferneda afirma que, no caso de Antônio, o acompanhamento atento dos sintomas já seria o suficiente. “Quatro ou cinco perguntas determinantes e uma avaliação clínica bem feita já resolveriam o problema nesse caso”.

O médico alerta para a capacitação dos profissionais de saúde que estão atuando nas unidades do município. “Tem que ter gente capacitada, que tenha experiência no atendimento. Estamos vivendo o início da gripe junto com a epidemia da dengue e é preciso diferenciar as doenças para não terminar mal”, alerta o médico.

No ano passado, a cidade registrou 36 casos de gripe suína, com duas mortes. Catanduva registrou uma morte pela doença no dia 8 de abril. A Secretaria de Saúde do município informou por nota que irá apurar o atendimento oferecido para Antônio tanto na UPA quanto no hospital. A secretaria alega ainda que poderia ter deixado de realizar os exames que comprovam a dengue, já que, de acordo com o Ministério Público, quando a cidade entra em epidemia, os casos podem ser encerrados por critério clínico epidemiológico.

Vacinação vai até 26 de abril

No dia 29 de abril do ano 2000, 14 anos atrás, Izidoro Leonel Caetano, 74 anos, tomava a primeira vacina para gripe. Precavido, o idoso afirma que desde então nunca deixou de se proteger. “Se é pra não ficar doente, eu tô dentro”. A vacinação contra a gripe começou esta semana e vai até o dia 26 de abril. No sábado, considerado o dia “D”, acontecerão ações especiais para incentivar os rio-pretenses a se vacinarem. Michela Dias Barcelos, enfermeira e coordenadora de imunização da Secretaria de Saúde, alerta: “A gripe é uma doença que pode evoluir com gravidade e a vacina vai evitar essas complicações”.

Devem ser vacinados idosos, gestantes, crianças a partir de seis meses e menores de dois anos, indígenas, pacientes com doenças crônicas, profissionais de saúde do Estado e mulheres que deram a luz há menos de 45 dias. Para se vacinar, o paciente deve procurar uma das 26 unidades de saúde de Rio Preto, com documentos e, no caso de doenças crônicas, atestados que comprovem o quadro. Daniela Penha – diarioweb.

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