Greve dos caminhoneiros afeta faturamento das micro e pequenas empresas

Faturamento real das micro e pequenas empresas paulistas teve variação positiva de 0,1% em maio. Expectativa para segundo semestre é otimista, apesar de incertezas.

 

A greve dos caminhoneiros no mês de maio, que durou 11 dias e levou a uma crise de abastecimento no País, provocou uma redução no ritmo de alta na receita das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas. A pesquisa Indicadores, realizada mensalmente pelo Sebrae-SP, mostra que o faturamento real (já descontada a inflação) dos pequenos negócios foi 0,1% maior em maio deste ano em relação a maio de 2017. Embora o resultado seja positivo, o índice mostra que o crescimento sobre o mesmo mês do ano anterior, registrado consecutivamente há 14 meses, perdeu força, com a redução no fluxo de pessoas e de mercadorias provocado pela paralisação. A receita total do universo das MPEs em maio foi de R$ 60,4 bilhões.

 

As MPEs do setor de serviços puxaram o resultado para baixo, com queda de 5,7% no faturamento, no período. Para os especialistas do Sebrae-SP, isso ocorreu porque esses negócios sofreram maior impacto pela menor circulação de pessoas nesse período, e dificuldades de abastecimento de combustível. Os serviços de transporte, muito afetados pela greve, também estão presentes entre as MPEs. O comércio registrou alta de 4,7% e o setor industrial teve aumento de 1,5% na receita real. O fato de as MPEs, especialmente no comércio, terem uma forte dependência de clientes que vivem ou trabalham nas proximidades da empresa pode ter tido um impacto positivo em um mês em que os deslocamentos foram prejudicados.

 

No acumulado do ano de 2018 – ou seja, dados de janeiro a maio –, as MPEs registraram expansão de 5,5% no faturamento real em relação ao mesmo período de 2017. Com a inflação sob controle e uma melhora na atividade econômica, o rendimento das pessoas ocupadas registrou aumento, favorecendo uma melhora do consumo no mercado interno – e, consequentemente, das MPEs.

 

Por regiões do Estado, a única queda de faturamento registrada em maio foi no interior, com -11,7%. O município de São Paulo teve aumento de 5,8%, assim como o  Grande ABC (9,6%) e a Região Metropolitana (12,4%).

 

Em relação aos Microempreendedores Individuais (MEIs), a pesquisa aponta que o faturamento real em maio foi 17,4% maior que no mesmo mês do ano anterior. O melhor resultado quanto à receita real foi entre os MEIs que atuam no comércio, com alta de 33,2%, seguido pelo setor de serviços, com +16,7%. Já aqueles ligados ao setor industrial tiveram queda de 4,7%. Maio de 2018 foi o 11º mês consecutivo de expansão de faturamento real dos MEIs, sobre o mesmo mês do ano anterior. Muitos desses profissionais atendem a clientes em um raio próximo à sua localização, o que explica o pouco impacto da greve dos caminhoneiros.

 

Segundo semestre

 

A pesquisa Indicadores também questionou os donos de pequenos negócios sobre as perspectivas para o segundo semestre de 2018. As entrevistas referem-se ao próprio mês de junho. Em geral, as expectativas são de melhora na quantidade de clientes e no faturamento da empresa, o que deve resultar em aumento de pessoal ocupado. Por outro lado, as MPEs esperam aumento de custos em um cenário que não permite acréscimo nos preços de seus produtos e serviços. Dessa forma, várias empresas tendem a atuar com uma margem de lucro menor.

 

Em números, 45% dos proprietários de MPEs acredita em manutenção do nível de atividade da economia brasileira no segundo semestre deste ano. O percentual de incerteza, ou seja, dos que não têm ideia de como a economia poderá evoluir é de 24%, o maior para junho desde 2010. Da mesma forma, a maior parcela (46%) aguarda estabilidade para o faturamento da empresa nos últimos seis meses do ano. A diferença entre aqueles que têm expectativa de aumento da receita (26%) e aqueles que apostam em queda (6%) é positiva.

 

Entre os entrevistados, 56% esperam um aumento nos custos dos materiais ou mercadorias utilizados, porém 60% acreditam que os preços dos produtos ou serviços da empresa irão se manter. Nesse cenário, as principais estratégias apontadas são aperfeiçoar os produtos e serviços existentes (32%), conquistar novos mercados (17%) e oferecer novos produtos ou serviços (14%).

 

Sobre a pesquisa

A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1,7 mil proprietários de MPEs e 1 mil MEIs do Estado de São Paulo durante o mês de referência. No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões. Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob essa figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.

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