Greve ameaça superlotar cadeias da região de Votuporanga

A greve dos agentes penitenciários no Estado de São Paulo, que entra hoje no terceiro dia, põe em risco a segurança do sistema prisional na região de Rio Preto. As cinco cadeias do Noroeste paulista contavam ontem com apenas 50 vagas disponíveis. Como os grevistas têm impedido a entrada de novos detentos no Centro de Detenção Provisória (CDP), eles se acumulam nas cadeias – na média, são dez prisões por dia só pela PM.

Assim, as cadeias podem entrar em colapso na próxima segunda, caso a greve persista. Nos últimos anos, o governo estadual construiu dois CDPs na região, em Riolândia e Icém, com a intenção de esvaziar as cadeias. O delegado-assistente da Delegacia Seccional de Rio Preto, José Luís Chain, admite que a situação preocupa muito a Polícia Civil, e por isso a corporação resolveu apelar para a interferência de juízes e promotores.

“Com muito diálogo, estamos conseguindo a transferência dos presos que ficam na Central de Flagrantes de Rio Preto, mas o pessoal do Centro de Detenção Provisória recusa a entrada das pessoas detidas em Catanduva”, diz. Os números dão razão para a aflição do delegado. A capacidade da cadeia de Catanduva é para 60 pessoas e até ontem, restavam apenas cinco vagas, que podem se esgotar a qualquer momento.

Na Cadeia de Jales restam apenas sete vagas para estourar a capacidade para 60 pessoas. Para piorar, a Cadeia de Novo Horizonte está interditada para reforma. Todos os presos são enviados para Catanduva. A única cadeia da região que está com vagas sobrando é de Guarani d’Oeste. Das 40, apenas 20 estão ocupadas. A explicação é que os agentes da Penitenciária e do CDP de Riolândia, para onde vão os presos daquela região, ainda não aderiram à greve.

 

Delegado José Luís ChaimDelegado José Luís Chaim, assistente da Delegacia Seccional

Ação judicial

Para garantir a entrada de presos no CDP de Rio Preto, a Delegacia Seccional entrou com ação na Justiça para solicitar mediação junto ao movimento de greve dos agentes. “Respeitamos a paralisação dos agentes penitenciários, mas não iremos tolerar que isso abarrote as cadeias e coloque em risco a população.”

Esse é o temor da assistente administrativa Ana Cláudia Coimbra, de Rio Preto. “O duro será quando os delegados começarem evitar a prisão de bandidos por falta de vaga. O que era grave vai se tornar pior.”

Greve dividida

O diretor regional do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de São Paulo (Sindasp), João Camargo, diz que a categoria reivindica 8% de aumento salarial, mas também melhores condições de trabalho para os funcionários.

“Estão sendo mortos agentes e funcionários na região de Campinas. Aqui, na região de Rio Preto, ainda não aconteceu, mas temos de estar mobilizados”, alerta o sindicalista. O governo estadual tem se mantido irredutível quanto às reivindicações dos grevistas. Informou que, por enquanto, não vai negociar com o movimento.

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