“Governo parece que quer acabar com a Polícia Civil”, avalia delegado

Responsável pelo Núcleo Especial Criminal dispara: “Para mim, fazer greve é bater em ferro frio, porque o governo não nos reconhece e a população não pode pagar por isso”

O Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) realizou ontem uma palestra com o delegado do Necrim (Núcleo Especial Criminal), Ali Hassan Wanssa. Durante a palestra, o delegado abordou os assuntos sobre o funcionamento do núcleo, polícia conciliadora e seus principais objetivos.

O núcleo, criado através de portaria de diretores de departamento, tem o objetivo de evitar a condenação do cidadão ao Fórum, e age para que as partes conversem entre si e entrem em acordo. Para Wanssa, a forma de atuação do Necrim é diferente da forma como acontece no Fórum. Lá, o juiz e o promotor não chamam as partes para um acordo, já o núcleo tem esse objetivo, de conversar e a partir da conversa haver uma mediação.
O funcionamento do núcleo abrange todos os delitos que o crime depende da vontade da vítima, porém atende apenas as ações públicas condicionadas. A tendência é que a polícia ajude a população e em segundo plano, o poder judiciário.
Revelando que o Necrim irá se instalar em todas as comarcas, Wanssa relatou: “a gente não busca o culpado. Sentamos e buscamos o erro para chegar a um consenso. No fórum, a maneira de atuar é muito impessoal, pois lá eles não ouvem as partes”.
O delegado deixou claro que com a criação do núcleo, a polícia não deixará de fazer sua parte que é encaminhar as infrações penais ao Fórum. Em esclarecimento, ainda, Ali disse que como mediador, ele proporciona a chance das pessoas desabafarem e que diferente do Fórum, o atendimento é resolvido na hora.
“Na delegacia, tínhamos 12 funcionários. Hoje, estamos apenas com seis, ou seja, o serviço aumentou para pouco funcionário”, disse o delegado.
Como a cidade foi dividida em quatro distritos, o Necrim ocupa 25% dele, e o delegado relatou que apesar de existir um plantão único na cidade, os boletins de ocorrências são encaminhados todos a ele, os de ações
públicas condicionadas e incondionadas também, os quais não poderiam ser encaminhados.
Ali Hassan Wanssa finaliza o seu expediente às 21h, pois com poucos funcionários e uma maior demanda, o serviço está exigindo bastante dele. “Não temos funcionários para trabalhar, e o governo parece que quer acabar com a Polícia Civil”.
O delegado opinou sobre o assunto de greve. “Para mim, fazer greve é bater em ferro frio, porque o governo não nos reconhece e a população não pode pagar por isso”.
O Necrim não foi criado para ajudar juiz e promotor, mas sim a população, apesar de certa forma acabar ajudando o poder judiciário. “Minha obrigação e função é desarmar o espírito da pessoa, quando as pessoas chegam à delegacia eu ofereço um café, trabalho como mediador e não como delegado, escuto as duas partes”, esclareceu Wanssa.
O Núcleo atende os crimes que dependem das vítimas, os crimes de ação pública condicionada, e geralmente as pessoas que procuram o Necrim são as que não têm condição de contratar um advogado.
Na palestra, Ali relatou que não liga se estiver sendo fiscalizado, pois assim ele também se policia todo dia, aprofundando a sua experiência. “Também não ligo de encaminhar alguns casos para o Poder Judiciário, não quero competir, apenas procuro fazer o meu trabalho como mediador, mesmo porque os promotores daqui não estão fazendo carga negativa contra a gente”.
“Todos que chegam ao núcleo saem satisfeito. Para o delegado a população está recepcionando bem o Necrim. Na polícia, é preciso fazer a política do bem. Hoje os delegados ‘acordaram’, e a polícia está mudando para melhor.”
No mês passado, também foi inaugurado o Núcleo de Mediação Comunitária da PM (Polícia Militar), onde a mediação é agir nas origens da violência, buscar a segurança pública pela via da pacificação social, preservar a ordem pública com afeto e não com a repressão, é uma nova forma de fazer polícia. Ela também não busca substituir o Poder Judiciário, nem diminuir o número de processos, é uma atividade comunicativa e pacificadora. Este Núcleo de Mediação é um movimento de construção do verdadeiro senso de pertencimento social.
“Admiro a hierarquia da PM, a polícia está mudando o seu poder de concepção”, conclui Ali Hassan Wanssa. (Colaborou Paola Munhoz) Diario de Votuporanga

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