Família filma agressões a bebê em Ilha Solteira

A Polícia Civil de Ilha Solteira investiga uma babá, grávida de 5 meses, acusada de torturar uma menina de apenas um ano e quatro meses. As agressões foram filmadas por câmeras escondidas instaladas pelos pais da criança, intrigados pela mudança repentina de comportamento da filha e a aparição de hematomas. Os vídeos mostram a mulher dando socos, puxões e chacoalhões nos braços da criança. Em um dos trechos, a babá parece enfiar colheres de comidas à força na boca da menina e comer alimentos que, segundo a família, eram deixados para a criança.

De acordo com informações do pai da criança, Tarso Rodrigues, 37 anos, a babá Michelle Ferreira Barbosa, 33 anos, foi contratada há 5 meses. “Michelle foi uma indicação. Na época ela cuidava de uma criança recém-nascida em Itapura, cidade em que ela mora, a 30 quilômetros daqui. Nós a contratamos, e logo ela engravidou. Registramos mesmo assim e estávamos dando todo apoio que ela estava precisando”, afirmou. Tarso contou que desde então a filha teve uma mudança de comportamento. Passou a ser uma criança mais acanhada, amedrontada. Chorava sempre quando os pais saiam para o trabalho. “Ela se agarrava no nosso pescoço e chorava muito”, contou.

Os país começaram a notar hematomas pelo corpo da filha, mas acharam que poderia ser provenientes de queda que ocorriam com frequência quando a criança aprendeu a andar. Nesse mesmo período, manchas, coceiras e feridas também apareceram pelo corpo da filha. “Acreditávamos que poderia ser alguma alergia. Fomos a vários médicos, dermatologistas e tudo mais. Todos os tipos de exames de sangue foram feitos e os médicos disseram que eram relacionados a problemas emocionais. Procuramos uma psicóloga e ela orientou que instalássemos câmeras para acompanhar a rotina de nossa filha”, contou.

Os pais da criança não suspeitavam da mulher, que é estudante de enfermagem e mãe de uma criança de 10 anos. Mas bastaram dois dias para descobrirem que a filha, segundo eles, era torturada pela babá. As câmeras foram instaladas na casa na última segunda-feira. No fim da noite de anteontem os país se surpreenderam ao assistir as imagens.

“Além de Michelle dar socos e puxões, ela gritava, forçava minha filha a comer. Enfiava colheres cheias de comida na boca da criança mesmo com ela chorando assustada. Michelle ainda comia as papinhas e danones dizendo que se minha filha não queria ela comeria”, contou Tarso. O casal procurou a polícia com a imagens e um boletim de ocorrência foi registrado. Michelle não foi trabalhar ontem por ser dia de consultas do seu pré-natal. “Ela ligou para mim o dia todo. Eu não atendi. Ainda não sei o que dizer para ela. O que acho importante é que agora todo mundo sabe. Se não gosta de cuidar de pessoas ela deve trabalhar com outra coisa”, contou. Michelle foi procurada pela reportagem do Diário por telefone, mas não atendeu as ligações para falar sobre as acusações dos pais da criança.

Lei eleitoral impede prisão

A babá Michelle Ferreira Barbosa só não teve a prisão preventiva decretada ontem por causa da legislação eleitoral. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Miguel Ângelo Micas, a acusada apenas será intimada para ser ouvida depois que o resultado dos exames e laudos estiverem prontos. “Eu não posso decretar a prisão preventiva dela porque estamos no período das eleições. Vou ter de ouvir as outras pessoas, aguardar os exames e só depois que passar esse período vou poder decretar a prisão preventiva ou chamá-la para ser ouvida”, afirmou.

O código eleitoral brasileiro prevê no artigo 236 que ninguém pode ser preso no período compreendido entre 5 dias antes e 48 horas depois da eleição. Como o segundo turno está marcado para este domingo, o impedimento começou a valer na terça-feira e só termina na próxima terça.

De acordo com o artigo, só podem ser presas pessoas pegas em flagrante e que já tenham condenação na Justiça por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto (habeas corpus preventivo concedido pela Justiça.). A norma foi editada em 1965 para evitar perseguições políticas e garantir o direito de voto a todos. Ontem em Fernandópolis, ocorreu caso parecido, de uma pessoa não ter sido presa por causa da legislação.

Em Araçatuba, deu cadeia

Em Araçatuba, outro caso de violência contra criança levou o padrasto de uma menina de 3 anos para a cadeia. O empresário Maurício Moraes Scaranello, 35, e a mãe, uma dona de casa de 21 anos, perderam a guarda da menina. O acusado foi detido em flagrante no dia 26 de setembro, no condomínio onde morava com a família, na zona norte da cidade.

A menina, que está em um abrigo, tem a guarda disputada pelo pai biológico e pela avó materna. Mas somente o pai entrou com processo na Vara da Infância e da Juventude de Araçatuba, e aguarda decisão para os próximos dias para que possa retirar a filha do local para onde foi levada, na quarta-feira passada.

De acordo com o promotor de Justiça Flávio Hernandez José, o MP tem cinco dias para analisar todos os relatos feitos pela titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Luciana Pistori, que trabalhou no inquérito na fase policial. O caso, que segue em segredo de Justiça, veio à tona depois que a Polícia Civil recebeu denúncia anônima sobre o tratamento que o empresário dava à criança, com quem vivia havia um ano e meio. Os vídeos mostram cenas em que o padrasto não deixava a menina dormir e até oferece cebola para ela comer. Diário da Região de Votuporanga

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