Família doa todos os órgãos de jovem assassinado

Aos 25 anos, Paulo Robson Estevão foi assassinado. Na sexta-feira, foi alvejado na frente de casa, em Bady Bassitt. Morreu ontem, após dois dias internado no Hospital de Base de Rio Preto. A história poderia ficar restrita à investigação policial em busca dos criminosos, mas a família resolveu fazer diferente. Optou por doar todos os órgãos e tecidos saudáveis do jovem.

As córneas, os pulmões, os dois rins, coração, fígado e pâncreas estão à disposição da Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado, e poderão mudar a vida de oito pessoas que aguardam na fila de transplante. A central notifica os hospitais, que verificam se os pacientes que precisam de transplante estão aptos a receber os órgãos doados. Até a noite de ontem, o HB ainda aguardava respostas da central quanto ao encaminhamento de cada órgão.

Se todos os órgãos puderem ser aproveitados, Paulo entra para a rara lista dos múltiplos doadores. “Isso não costuma acontecer porque depende das condições do paciente. Quando o doador é jovem e há rapidez da família em decidir doar, a viabilidade dos órgãos tende a ser maior”, explica João Fernando Píccolo, coordenador do serviço de procura de órgãos e tecidos (Spot) do HB.

“Você não imagina a dor que estou sentindo, mas consegui pensar na doação. Meu filho era muito bom e vai continuar sendo. Era a vontade dele”, disse a mãe, Maria José Gomes Estevão. Paulo morava com ela e trabalhava como servente de pedreiro. O delegado Ericsson Salles Abufares, da delegacia de Bady Bassitt, conta que o jovem não tinha envolvimento com o crime.

Na noite de sexta-feira, dois homens em uma moto passaram na frente da casa de Paulo atirando. A polícia acredita que o jovem foi atingido por três disparos, mas como o corpo ainda não havia passado por exame no IML (Instituto Médico Legal), não há confirmações. “Depois que os órgãos forem doados, o corpo vai ser analisado pela polícia”, explica o delegado, que ainda não tem pistas sobre os criminosos.

A família quer justiça, mas preencheu a dor com outro sentimento. “A gente sabe que vai ajudar muita gente. Vai salvar vidas”, diz a mãe. O pai, João Estevão, concorda. “Ele queria isso. Já tinha falado para a gente”. Falar, orienta Picollo, é o que garante a doação. “A gente nunca sabe quando vai acontecer, por isso tem que avisar a família se quiser ser doador”.

Transplantes no HB

Desde 1990, quando realizou o primeiro transplante, o Hospital de Base fez 3.645 procedimentos. Neste ano, foram 164 transplantes. De 2002 a 2013, o HB captou 828 órgãos, que podem tanto ter sido transplantados em pacientes do hospital, quanto ter sido captados por equipes de outras cidades. De janeiro de 2012 a setembro deste ano, havia 138 pessoas na fila por um órgão no HB. Nesse período, 49 pacientes morreram antes de conseguir uma doação.

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