Famerp proíbe pedágio na rua e festa no campus durante trote

Quase um ano depois do trote violento que forçou um estudante a abandonar o curso de medicina da Famerp, sem qualquer punição para os veteranos envolvidos até agora, o diretor da instituição, Dulcimar de Souza, divulgou ontem uma lista com 10 diretrizes para evitar que a situação se repita. Entre as novas regras, estão a proibição de festas, churrascos e eventos dentro do prédio da faculdade e “pedágios” em semáforos.

Quase um ano depois do trote violento que forçou um estudante a abandonar o curso de medicina da Famerp, sem qualquer punição para os veteranos envolvidos até agora, o diretor da instituição, Dulcimar de Souza, divulgou ontem uma lista com 10 diretrizes para evitar que a situação se repita. Entre as novas regras, estão a proibição de festas, churrascos e eventos dentro do prédio da faculdade e “pedágios” em semáforos. Os veteranos também não podem mais obrigar os calouros a comprar o chamnado kit-“bixo”.

O kit funciona como uma espécie de passaporte para os eventos realizados pelos veteranos. O novato recebe caneca, camisetas e o direito de participar de festas realizadas pelos veteranos. No ano passado, o kit custava R$ 690 e os calouros eram forçados a comprar. Caso se recusassem eram obrigados a receber os trotes. “A partir deste ano está proibida a venda obrigatória desses kits. Os alunos poderão fazer os kits, mas eles serão compostos por brindes da faculdade (chaveiros, camisetas, bonés e etc)e não estarão mais ligados a festas. Até porque nós também não vamos autorizar a realização de eventos com o nome da faculdade, mesmo fora do campus”, afirmou o diretor.

De acordo com Dulcimar, as regras anunciadas “já eram praticadas”, mas de modo informal com os alunos no momento da matrícula. “Como aconteceu um caso fora do comum no ano passado, decidimos colocar no papel as regras e vamos fazer de tudo para que os alunos cumpram cada um dos itens.” O diretor diz ainda que além de proibir, as regras têm como objetivo “reeducar e mudar a cultura dos alunos”.

“Para isso estamos criando uma interação maior entre os calouros e os veteranos. Já estão previstas várias ações de integração. Por exemplo, quando o aluno vier fazer a matrícula ele será recebido por alunos dos anos superiores, que irão apresentar a faculdade, as salas, os laboratórios e etc.”O diretor diz também que os pais dos alunos, de calouros e de veteranos, serão chamados para ficar cientes de todas as regras e as consequências do não cumprimento.

Outra medida anunciada na Famerp é impedir a presença de calouros no centro acadêmicos dos cursos. “Dois seguranças ficarão na porta”, adianta o diretor. As novas regras foram expostas ontem em reunião com a presença de representantes dos alunos e professores. O promotor de Justiça Carlos Romani também foi convidado. “A faculdade tomou as medidas que achou necessária para impedir a prática de abusos. Acredito que com essas regras ficará muito mais difícil que episódios como os do ano passado se repitam e caso isso aconteça, as regras estão bem claras e os envolvidos poderão ser punidos com rigor”, afirmou o promotor. Romani disse ainda que irá acompanhar de perto o cumprimento das regras, uma vez que faz parte da comissão de integração, formada ontem.

Além do promotor, a comissão é composta por representantes dos próprios alunos, de professores e da direção. As matrículas para os alunos da primeira chamada serão realzidas nos próximos dias 29 e 30 de janeiro.

Delegado ouviu 79 pessoas

As investigações sobre o caso do ex-aluno da Famerp Luis Fernando Alves, que decidiu abandonar o curso no ano passado com medo do trote violento sofrido, ainda estão em andamento. O caso está sendo investigado pelo delegado do 1º Distrito Policial de Rio Preto, Walter Colacino Júnior, como lesão corporal e constrangimento ilegal agravado. O delegado ouviu 79 alunos do primeiro ano do curso de medicina. Eles apontaram alguns veteranos como os responsáveis pelo trote violento. As comissões da faculdade também indicaram o nome de sete veteranos.

Eles chegaram a ser punidos pela diretoria com suspensão de seis dias, porém, o Conselho Departamental da Famerp anulou a decisão da diretoria e livrou de punição os sete alunos acusados. “O caso do Luís Fernando já está encerrado para a Famerp, só iremos tomar alguma atitude quando a polícia concluir o inquérito. Antes disso não temos mais o que fazer. Tudo o que poderíamos fazer nós já fizemos”, disse o diretor Dulcimar de Souza.

Luis Fernando ainda consta como aluno da instituição, uma vez que ele apenas trancou a matrícula. “Nós teríamos cinco vagas de transferência para os alunos do segundo ano, mas agora só temos como disponibilizar quatro, pois ele ainda está matriculado aqui e na faculdade de Minas Gerais”, afirmou. DiárioWeb

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