Falso sequestro: criminosos fazem vítimas em Votuporanga

Várias pessoas em Votuporanga foram vítimas de trotes telefônicos de possíveis quadrilhas. Muitas destas ligações foram feitas a cobrar e, do outro lado da linha, uma voz feminina pedia socorro, dizendo que é filha da pessoa e que foi sequestrada. Caso o resgate não fosse feito, os bandidos a matariam. Mas tudo não passava de uma simulação.

De acordo com a Isabela – visando preservar a identidade das vítimas, todos os nomes publicados nesta matéria são fictícios – na manhã de ontem, ela recebeu uma ligação, de um suposto sequestro. “Atendi ao telefone, era uma chamada a cobrar. Sem se identificar, já passou a dizer ‘Mãe, me ajuda mãe! Eles vão me matar!’Socorro mãe!” 
Isabela explicou que, logo em seguida, uma voz masculina passou a fazer ameaças e exigir dinheiro. “Um homem começou a dizer ‘estou com revólver para cabeça de sua filha. Se você não fizer o depósito de R$2 mil em nossa conta, eu mato ela!” 
Percebendo se tratar de um trote, Isabela resolveu por fim na ‘brincadeira’ de mau gosto. “Quando eu desconfiei que fosse um golpe, resolvi ‘dar o troco’ e falei:‘você sabia que aqui é casa de um policial militar?’. Eles acreditaram e desligaram imediatamente”.
O delegado da Delegacia de Investigações Gerais, Márcio Nobuyoshi Nosse, afirmou que é preciso manter a calma, mesmo diante das graves ameaças.
“Elas (quadrilhas) exploram os sentimentos humanos. Então, quando estiver diante de uma situação desta, procure não desligar o telefone. Mantenha o “sequestrador” na linha e entre em contato com seu familiar que está supostamente  como refém e, logo, constará que tudo não passa de um golpe”, disse.
Segundo Nosse, em muitos casos, as vítimas não procuram a polícia para registrar ocorrência, pois percebem que tudo não passa de uma armação. Só nos casos em que a vítima realiza depósito em dinheiro e, quando percebe que foi enganada, presta queixa policial.
“Recomendamos que as pessoas procurem a polícia quando receberem este tipo de ligação. Principalmente aqueles que conseguiram o número do autor”, orientou o delegado.
Situação semelhante vivenciada por Isabela aconteceu com Roberto. “Por mais que você desconfie que é um golpe, no primeiro momento você fica estático, apavorado. Aquele choro, o pedido de ajuda, tudo isso vai deixando você confuso. Mas basta você dar uma pouco de ‘corda’ que eles começam a entrar em contradição e aí você percebe o golpe”.
A reportagem conversou com outras cinco possíveis vítimas, quase todas as histórias eram semelhantes, exceto a de Clarice. “Recebi a ligação e a pessoa do outro lado dizia ser um delegado. Ele passou a falar que houve um acidente com uma vítima fatal. Naquele momento, fiquei em choque, pois meu filho estava viajando. Comecei a chorar e ficar desesperada. Mas percebi que o ‘delegado’ mais perguntava do que conversava. Ele queria saber o nome do meu filho, qual o carro dele. Neste momento, disse que era eu quem deveria estar fazendo perguntas e desliguei”.
Clarice disse que logo em seguida, mesmo desesperada, entrou contato com o filho através do celular e  conseguiu contato.
O delegado também falou da dificuldade que encontra neste tipo de crime. “A lei não obriga as empresas de telefonia certificarem quem realmente é o proprietário. Quando chegamos a um usuário, muitas vezes, ele não tem conhecimento que estão usando seu nome. Muitas destas ligações partem do próprio sistema penitencial” concluiu o titular da DIG. (Alex Pelicer – A Cidade)

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