Ex-diretor de Hospital de Câncer geria 1% do caixa e abusou, diz presidente

Os ex-funcionários presos suspeitos de desviar R$ 700 mil do Hospital de Câncer de Barretos em Jales (SP) abusaram de uma liberdade “mínima” na gestão de recursos da instituição para superfaturar nas compras, afirmou nesta quarta-feira (9) o presidente da Fundação Pio XII, que administra a instituição, Henrique Prata.

 

Segundo ele, o rombo não foi maior porque o ex-diretor, que com outros dois funcionários foram detidos durante a Operação “Corrente do Bem”, da Polícia Federal, tinha uma autonomia limitada a 1% de um orçamento mensal de R$ 4 milhões. Ainda assim, de acordo com Prata, o suspeito superfaturou recursos em pequenas compras de combustível e de supermercado.
“Na caixa de refrigerante e salgado o hospital comprava e quem pegava o dinheiro era no bolso deles. Tudo que eram coisas mínimas eles juntavam e davam um superávit, talvez uma sobra de R$ 20 mil por mês”, diz.
A Operação deflagrada na terça-feira (8) cumpriu mandados de prisão e busca em Jales, Barretos e Campinas (SP) depois de apurar fraudes cometidas ao longo de dois anos.
Foram presos o ex-diretor administrativo da unidade do hospital em Jales, de 33 anos, além de dois ex-funcionários de 29 e 30 anos. Antes do trabalho da Polícia Federal, eles já tinham sido demitidos por justa causa, segundo Prata.
Eles já vinham sendo investigados por desvios de recursos do hospital em benefício próprio, mediante pagamentos suspeitos em supermercados, hotéis, oficinas mecânicas, lojas de pneus, postos de combustíveis, restaurantes, transporte de passageiros e cargas perigosas.
A PF ainda apreendeu cinco carros, documentos, R$ 5 mil em dinheiro e um cofre, que estavam com os três ex-funcionários.
Desvio em ‘coisas mínimas’
Segundo Henrique Prata, o desvio que, segundo as investigações chegam a R$ 700 mil, se acumulou ao longo de dois anos por meio de superfaturamentos praticados em pequenas compras que não seriam, a princípio, detectadas pela instituição.
Tudo que eram coisas mínimas eles juntavam e davam um superávit, talvez uma sobra de R$ 20 mil por mês”
Apesar de 99% do orçamento do hospital em Jales ser controlado em Barretos, o presidente da fundação afirma que os suspeitos se aproveitaram da margem mínima de gastos que tinham para lesar os cofres da instituição, de compras de combustível e de oficina mecânica a pagamento de bufê.
“O gestor e um grupo de amigos começaram a abusar de pequenas coisinhas em que eles tinham alternativa”, diz.
Para o presidente, a operação da Polícia Federal foi legítima. Ele confirma que, antes das prisões, teve acesso aos dados que embasaram as demissões por justa causa dos envolvidos.
Isso aconteceu há aproximadamente um mês, quando uma ação foi feita na unidade do hospital em Jales, com a participação da direção do hospital de Barretos. Naquela ocasião, vários documentos já tinham sido apreendidos.
“Na mesma hora que a Polícia Federal me chamou pra fazer intervenção, ela me chamou pra ir junto. Quando eu fui junto ela me garantiu que teria justa causa.”
Ele descarta que os desvios e as investigações prejudiquem as atividades das unidades ligadas ao Hospital de Câncer de Barretos.
“Imagine se eu desse o poder de ele [ex-gestor] negociar R$ 4 milhões que eu tenho lá de consumo por mês. Ele tinha usado muito mais a liberdade dele, mas não tinha. A matriz aqui [em Barretos] que faz tudo”, comenta.     G1

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