dom, 30 de agosto de 2026

EUA anunciam tarifaço de 25% a produtos do Brasil

O governo dos Estados Unidos detalhou os motivos por trás da decisão de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir do próximo dia 22 de julho. Em entrevista a jornalistas, o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamierson Greer, explicou que a punição foi baseada em uma investigação oficial que apontou uma série de condutas do governo brasileiro consideradas desleais e prejudiciais aos interesses de trabalhadores e empresas norte-americanas. Apesar do rigor da nova regra, produtos de grande peso na balança comercial, como carne bovina, café e etanol, conseguiram ficar de fora da lista final de taxação.

De acordo com o relatório das autoridades norte-americanas, a investigação identificou abusos graves cometidos no Brasil. O documento cita a existência de decisões judiciais sob sigilo que forçaram empresas de tecnologia dos EUA a apagar postagens políticas de suas redes — inclusive manifestações de um presidente. Os americanos também reclamaram de multas financeiras sufocantes e de ameaças de bloqueio total dessas plataformas no país. No setor financeiro, o relatório acusa o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix de forma artificial, tratando-o como um “campeão nacional” e prejudicando a concorrência de operadoras de pagamento dos EUA. Foram apontados, ainda, privilégios tributários concedidos ao México e à Índia sem contrapartida aos norte-americanos, além de omissões no combate à corrupção e os impactos do desmatamento ilegal na concorrência agrícola global.

O chefe do órgão de comércio dos EUA revelou que as tentativas de negociação com o Brasil já se arrastavam há mais de um ano sem sucesso. Segundo Greer, o governo brasileiro demonstrava disposição para dialogar em discursos de intenção, mas não apresentava propostas concretas ou concessões reais que diminuíssem o abismo entre as visões comerciais das duas nações. Apesar das barreiras diplomáticas e do anúncio da sobretaxa, o representante norte-americano sinalizou que as conversas continuam abertas e que Washington mantém a esperança de trabalhar com Brasília para corrigir essas práticas e estabelecer uma parceria comercial mais equilibrada no futuro.

A decisão foi precedida por audiências públicas nos Estados Unidos, que contaram com a participação de diferentes setores. O senador e pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), esteve presente em um dos encontros para defender a integridade do Pix e pedir que a sobretaxa fosse cancelada, enquanto o Ministério das Relações Exteriores enviou uma contestação formal questionando a legalidade da investigação norte-americana e defendendo a soberania do país. O debate também mobilizou mais de 300 multinacionais de grande porte, como Coca-Cola, Tesla e Nestlé, que enviaram comentários ao governo dos EUA alertando que as novas taxas podem desorganizar as cadeias produtivas globais e acabar encarecendo o custo de vida para os próprios consumidores americanos.

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