“Estou arrependido e humilhado’, diz autor de trote

Da Redação

 

O homem que foi detido na sexta-feira em São José do Rio Preto depois de confessar ter sido autor do trote que mobilizou 12 equipes da polícia, bombeiros e o helicóptero Águia na última segunda-feira, diz estar arrependido e humilhado. “Foi um momento de irresponsabilidade, burrice e molecagem. Eu errei, estou arrependido e tenho que pagar pelo meu erro.

Estou pagando já, pela humilhação diante dos vizinhos e da humilhação pública”, comentou o carpinteiro Dorival Pereira da Silva, de 44 anos. Ele foi liberado depois de prestar depoimento.

 

 

Segundo o carpinteiro, ao fazer o trote, ele estava bêbado e sofrendo de depressão. “Foi um excesso de depressão e um pouco de bebida. Que isso sirva de lição para muita gente não fazer isso, uma pessoa pode precisar de verdade mesmo e o policial pode estar tomando um trote e deixando de salvar uma vida”, disse Dorival.

 

 

Como ligou do próprio celular, ele já estaria aguardando a chegada da polícia. “Eu esperava por isso. Meu chip estava cadastrado no meu nome e eles descobririam meu endereço. Estou consciente que isso iria acontecer. Que sirva de exemplo, serviu para mim. O que eles acharem que tem que ser feito, eles devem fazer. Se eu errei, eu tenho que pagar”, declarou Dorival.

 

O delegado André Ayruth Balura encaminhou o caso ao Fórum. O ato não é crime, mas é classificado como contravenção, o que resulta em penas alternativas. “Ele confirmou e confessou a prática, alegando estar em depressão e estava alcoolizado no momento da ligação. As declarações estão sendo formalizadas e tudo será encaminhado ao Fórum. Ele foi liberado por ser um crime de menor potencial ofensivo”, disse.

 

Trote

O trote custou mais de R$ 20 mil aos cofres públicos. Na gravação, o homem começa perguntando para a policial se ela pode ajudá-lo. Logo em seguida, ele começa a chorar. Sem entender o que está acontecendo, a policial insiste e pergunta o que ocorreu, quando o homem diz “o pneu do carro estourou, eu perdi o controle do carro e o carro desceu”.

 

 

Ele afirma que o acidente aconteceu na BR-153, entre Nova Granada  e Onda Verde, e que os bombeiros já estavam a caminho do local do suposto acidente. O homem também diz que a mulher dele estava no carro, que teria caído em um barranco de 100 metros.

 

 

Em vários trechos da gravação, o homem começa a chorar e a policial que atende a ocorrência tenta acalmá-lo. A policial, então, tenta fazer lembrá-lo do local exato do acidente e pergunta com que carro estava.

Como a falsa vítima do acidente não sabia informar com precisão o local do acidente, as equipes de resgate fizeram uma varredura por todo o trajeto, em mais de 60 quilômetros. Até o helicóptero Águia foi chamado para ajudar na “busca”. Ele voou até a divisa com Minas Gerais.

 

 

A suposta vítima diz que ainda estava no local do acidente, que tentava subir o barranco, que era muito íngreme. A policial então pergunta se ele está muito machucado, e ele diz “estou um pouco machucado, mas está tudo bem.”

 

 

Todos esses recursos foram viabilizados com o dinheiro público. Na tentativa de resgate foram mobilizados 35 homens, 12 viaturas sendo elas duas viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), quatro viaturas do Corpo de Bombeiros, quatro viaturas da Transbrasiliana, empresa responsável pelo trecho, uma da Polícia Ambiental e o helicóptero Águia da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

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