Estelionato Digital: veja como se proteger de golpe no WhatsApp

Em intervalo de dez horas, cinco pessoas têm o app de mensagens clonado.

Em um intervalo de apenas dez horas, cinco pessoas procuraram a Polícia Civil de Rio Preto no sábado, 2, para relatar golpes envolvendo uma plataforma de vendas online. As vítimas tiveram suas contas de WhatsApp invadidas. Golpes desse tipo são comuns, mas podem ser evitados com ativação de proteção existente no próprio aplicativo de mensagens.

Os cinco casos foram parecidos. Depois de anunciar no site de vendas, os usuários receberam telefonemas de pessoas que se passavam por funcionários da plataforma. Eles diziam que precisavam validar o cadastro e, para isso, enviariam um código, via mensagem de texto, que deveria ser informado na ligação.

Após informar a sequência numérica – que era, na verdade, o código de ativação do WhatsApp – os usuários perderam o acesso ao aplicativo de mensagens instantâneas. A partir de então, os criminosos usaram os perfis das vítimas para entrar em contato com conhecidos delas e pedir dinheiro.

O analista de sistemas Sinval da Silva afirma que este tipo de golpe pela internet já se tornou comum. “Os criminosos contam com dois fatores para se darem bem, a ingenuidade das vítimas, que são usuários, sem conhecimento básico em informática, e a existência de uma brecha de segurança no WhatsApp, que permite a invasão. Isso porque basta que os golpistas tenham acesso a um código de autenticação para acessar o WhatsApp de alguém em outro dispositivo”, explica o especialista.

Funciona assim: a vítima tem o aplicativo instalado em seu celular, com todos seus contatos e mensagens. Porém, para acessar a conta de WhatsApp em outro aparelho, basta informar o número de telefone e um código, normalmente enviado por mensagem de texto (SMS) da seguinte maneira: “Código do WhatsApp: XXX-XXX. Ou toque neste link para verificar seu número: […]. Não compartilhe este código.”

Para obter esse código, os golpistas dizem, por exemplo, que precisam do número para ativar um anúncio ou o cadastro em um site. Ao informar a sequência numérica, a vítima concede ao criminoso o acesso à sua conta no aplicativo. A partir daí, o golpista pode ver suas mensagens e seus contatos, além de se comunicar com outras pessoas se passando pelo dono da conta.

Ao fazer isso, os criminosos pedem dinheiro a outras pessoas em nome da vítima que teve seu celular invadido.

Reforço

Para reforçar ainda mais a proteção, é possível criar uma segunda camada de autenticação. Trata-se do recurso de autenticação em duas etapas, em que o usuário cria um PIN, ou seja, uma senha numérica, que deve ser informada sempre que tentar usar a conta em outro dispositivo.

Com isso, mesmo que um golpista tenha acesso ao código de autenticação que chega por SMS, não conseguirá acessar a conta porque precisará do PIN, que somente o usuário sabe.

Outro golpe

Um sexto golpe foi registrado na polícia no intervalo de dez horas. Nesse caso, golpistas criaram um perfil falso em um site de vendas com as informações pessoais da vítima. Após entrar em contato com o suposto locatário de uma casa no Guarujá, um morador de Rio Preto encaminhou cópia da CNH e comprovante de residência para realizar um cadastro. Em seguida, descobriu que criaram uma conta com seu nome, foto e dados pessoais para anunciar outras casas no litoral de São Paulo, provavelmente para aplicar novos golpes.

O golpe

Clonagem do perfil no WhatsApp

  • Golpista invade celular da vítima, assume a identidade e passa a pedir dinheiro emprestado aos contatos da lista

Como evitar esse tipo de golpe

  • Jamais informe a desconhecidos qualquer tipo de número que receber por mensagem de texto (SMS). Sem essa sequência numérica, criminosos não podem ter acesso à sua conta no WhatsApp
  • Para reforçar ainda mais a proteção, é possível criar uma segunda camada de autenticação. Trata-se do recurso de autenticação em duas etapas, em que o usuário cria um PIN, ou seja, uma senha numérica, que deve ser informada sempre que tentar usar a conta em outro dispositivo
  • Com isso, mesmo que um golpista tenha acesso ao código de autenticação que chega por SMS, não conseguirá acessar a conta porque precisará do PIN, que somente o usuário sabe
  • Para ativar a verificação em duas etapas, abra o WhatsApp, vá em “Configurações”, depois em “Conta”, depois
  • em “Verificação em duas etapas”. Por fim, toque em “Ativar” e siga as instruções na tela para criar seu PIN
  • Caso receber um e-mail para desativar a verificação em duas etapas sem tê-lo solicitado, não clique no link. Outra pessoa pode estar tentando registrar o seu número no WhatsApp
Golpista engana filha de paciente

Uma mulher de 58 anos foi vítima de um golpista que usou informações da internação da mãe dela para extorquir R$ 1,9 mil. O estelionatário se identificou como o médico que atendia a paciente, de 82 anos. Com informações da mulher, ele pediu o depósito de dinheiro para aquisição de mais medicamentos. Só depois de a mãe receber alta é que a família descobriu o crime e acionou a Polícia Civil.

De acordo com a família, o golpista ligou de um celular com DDD 17. “Não desconfiamos em momento algum. Ele sabia de todas as informações da minha mãe, o nome, a idade, o tratamento”, disse a mulher. “O celular não atende mais”, completou. O homem disse que tinha conseguido dez doses e precisava de R$ 3,5 mil para outras dez doses, já que o plano de saúde levaria 30 dias para fornecer os remédios. Antes mesmo de pagar a segunda parcela, a mãe recebeu alta.

O caso foi registrado como estelionato e será investigado pela polícia.

Gabriel Vital e Francela Pinheiro   – diarioweb.com.br

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