Estado corta verba e escolas de Rio Preto ficam até sem papel higiênico

Sem repasse de verba do governo do Estado, escolas estaduais de Rio Preto já estão com falta de insumos básicos como material de limpeza, papel higiênico e café. As reformas geralmente realizados nas férias escolares também foram canceladas e os alunoss vão começar o ano letivo com instituiçõeos sucateadas. Em outubro, o governador Geraldo Alckmin cortou a verba mensal para escolas comprarem insumos sob a alegação da necessidade de uma revisão no sistema, que é online. Além disso, cancelou o repasse do programa Trato na Escola, feito uma vez ao ano e destinado a reparos estruturais.

Com isso, o Estado deixou de repassar um total de R$ 318,6 mil a 27 escolas estaduais de Rio Preto e R$ 165,2 a outras 14 cidades que pertencem a Diretoria de Ensino de Rio Preto – 41 escolas atingidas. Em todo o Estado de São Paulo, o governo paulista “economizou” R$ 62 milhões. Cada escola recebe em torno de R$ 1,5 mil mensais para insumos – o valor varia de acordo com o número de alunos. Já para as reformas, cada colégio recebe R$ 7,9 mil ao ano, geralmente em novembro.

“Estamos sem café e sem material de limpeza. Cortaram sem nos avisar. Não pudemos fazer nada”, afirmou um dos diretores, que pediu para não se identificar temendo represálias. Além do colégio desse diretor, a reportagem apurou que também faltam materiais em pelo menos três escolas. Na Oscar de Barros Serra Doria, no Solo Sagrado, o material de limpeza e pó de café estão em falta e restam ainda duas semanas de aula, ou seja, não haverá limpeza das salas de aula e pátio.

Também na região Norte, na escola Bento Abelaira, o material de limpeza começa a faltar. Na escola Pio X, na Santa Cruz, até papel higiênico está em falta. A reportagem apurou que a escola tem cerca de R$ 13 mil de saldo no Estado, mas não pode realizar as compras porque o sistema está bloqueado. Cada escola tem uma espécie de conta online com um determinado valor disponível. Quando a direção realiza a compra, é gerado um pedido para a empresa realizar a entrega e a conta é enviada para o governo estadual.

“Todo final de mandato existe isso. É uma polarização para fazer o balanço e entrar na Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo não tem planejamento e não está preocupado se prejudica professores e alunos”, afirmou Alaíde Nicoleti Pinheiro, coordenadora regional da Apeoesp, o sinddicato dos professores, em Rio Preto.

Secretaria diz que investe e vê tudo sob controle

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação enviou lista de produtos comprados e fotos de estoque de material de consumo que afirma pertencer às escolas em que diretores reclamam de cortes. Acrescentou que em 2014 a rede de suprimentos recebeu um investimento de R$ 87 milhões, R$ 3 milhões a mais do que os R$ 84 milhões pagos no ano passado. Em Rio Preto, segundo o Estado, a verba da rede de suprimentos foi de R$ 763,2 mil em 2014. A secretaria assegura que “as escolas estaduais dispõem ainda de recursos que podem ser solicitados à diretoria de ensino para compras emergenciais de materiais de consumo”.

Para as quatro escolas citadas pela reportagem (Escola Estadual Pio X, Doutor Oscar de Barros Serra Dória, Professora Yvete Gabriel Atique e Professor Bento Abelaira Gomes) foram destinados, em 2014, cerca de R$ 100 mil, segundo o Estado. Outra garantia dada via nota oficial da secretaria ao Diário ontem é a de que a verba utilizada para reparos, como pintura, antes do início do ano letivo, será mantida no orçamento para a manutenção de escolas em 2015. A média investida no Trato na Escola era de R$ 40 milhões. O investimento em obras e manutenção das escolas passará de R$ 669,5 milhões em 2014 para R$ 995 milhões no próximo ano. Serão R$ 325,5 milhões a mais para este tipo de serviço.

Enquanto o Estado tenta desqualificar as reclamações de diretores, as escolas exibem o sucateamento, como mostram fotografias obtidas pelo Diário. São lâmpadas queimadas, salas de aula danificadas, banheiros com portas quebradas, espelhos trincados, alambrado de quadras esportivas com enoromes buracos, além de ferrugem à mostra em áreas de grande circulação de alunos. “Essas verbas de fim de ano são importantíssimas para dar cara diferente à escola e receber bem os novos e os atuais alunos. Também aproveitamos para fazer as obras nas férias escolares”, afirmou um funcionário que preferiu não se identificar. DiárioWeb

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