Espaço Saúde da Vila Carvalho sobrevive na base do improviso

Funcionária usa o próprio celular para agendar exames para pacientes

Na entrada da Vila Carvalho, em Votuporanga, está o posto de saúde, conhecido como Espaço Saúde. O local surpreende pelas condições de trabalho. Uma equipe de três profissionais e as 220 famílias atendidas convivem com máconservação do imóvel, falta de telefone e ausência de internet.

O prédio do Espaço Saúde está danificado, com buracos no forro.Oimóvel também não possui extintor de incêndio. Não existe sala de vacinação.Ocadastro dos pacientes é organizado com pastas e a caneta. Nada de computador. Cada cidadão ganha um cartão com seu número, que é comparado com a caderneta dos profissionais. Todos os procedimentos ficam em pastas em armários de ferro.

O agendamento de consultas e resultado dos exames é feito com telefone celular de uma funcionária da limpeza. Como o sinal de celular não chega ao Espaço Saúde, a servidora encaminha mensagens de texto e faz ligações para os pacientes de sua casa, fora do horário de expediente.

Segundo uma funcionária que pediu para não ser identificada, uma enfermeira traz as solicitações de exames para Votuporanga de duas a três vezes por semana. Ela agenda os procedimentos e, depois disso, a servidora da limpeza entra em contato.

Para falar com a equipe, os cidadãos devem ir até o posto ou ligar para o celular da funcionária, que ontem estava de férias. “Ela faz de tudo para nos ajudar. Já teve vez que gastou todo o crédito avisando os pacientes. Mas ela sempre vai e repõe os créditos por conta própria”, disse.

A falta de telefone pode prejudicar o cancelamento, quando necessário, de consultas. “Quando o médico não pode vir, não tem como avisar. As consultas não são agendadas. Os pacientes chegam com meia hora de antecedência”.

No local, um clínico geral (às segundas, quartas e sextas) e um pediatra (às quintas-feiras). A funcionária afirma que o Espaço Saúde está aberto graças ao empenho da equipe, em especial da coordenadora e da comunidade.

A balconista Fernanda Soares Veronezi, de 20 anos, reclama das condições do local. “Não tem farmácia e nem telefone. Para a mulher, não tem ginecologista”, disse.

Fernanda contou que qualquer procedimento é feito em Votuporanga. “Desde um ponto na mão atéuminfarto, a gentetemquedeslocar 10 quilômetros para ir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Minha filha teve febre e tive que levar para a UPA”.

Ivone dos Santos Ramos, de 28 anos,reclamou da falta de ginecologista. “Temos que passar pelo clínico e depois ele encaminhar para o especialista”.

Secretaria

A pedido do Diário, a Secretaria de Saúde enviou nota sobre o caso. De acordo com a assessoria, os atendimento sem saúde aos moradores da Vila Carvalho são realizados pela Secretaria no Centro Comunitário por meio de uma parceria com a Paróquia São Bom Jesus – proprietária da área.

“O local não é uma unidade de saúde, uma vez que não há condições sanitárias para que atividades de saúde sejam desenvolvidas. Portanto, alguns procedimentos como vacinação, dispensa de medicamentos, atendimentos com especialistas devem ser realizados somente em ambientes de saúde, conforme regulamentação do Ministério da Saúde”, informou.

Ainda de acordo com a pasta, o bairro possui aproximadamente 500 habitantes, o que impediria o eventual credenciamento de uma unidade básica de saúde.

Sobre o descarte de agulha sem garrafas pets, a pasta disse que orienta aos pacientes diabéticos insulinodependentes para que façam o uso de garrafas pets para o descarte das agulhas e seringas utilizadas para a aplicação da insulina. Após o uso, os pacientes encaminha mas garrafas para o descarte correto, junto ao lixo hospitalar

Andressa Aoki
andressa.aoki@diariodaregiao.com.br

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