Ensino piora mesmo com mais dinheiro

Mesmo recebendo, juntas, R$ 107 milhões a mais em 2013 (no comparativo com 2011) para investir no ensino básico, 69 cidades da região de Rio Preto pioraram ou estacionaram na educação, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Na avaliação do ano passado, essas cidades não atingiram a meta exigida pelo Ministério da Educação (MEC) para os anos finais do ensino básico. E pior, 22 delas tiveram índice menor do que na avaliação anterior, feita em 2011. Em contrapartida, tiveram, na média, aumento de 26% na verba vinda do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Os números enfraquecem a tese de que mais investimento significa melhoria na qualidade de ensino. Em algumas cidades, o dinheiro repassado pelo Fundeb quase dobrou, e mesmo assim os alunos tiveram fraco desempenho na avaliação do MEC. É o caso de Gastão Vidigal, município de 4.534 habitantes, localizado a cem quilômetros de Rio Preto. Em 2011, a administração recebeu R$ 581 mil e o índice Ideb foi de 5,5. Já em 2013, o repasse saltou para R$ 950 mil e nota despencou para 4,7, longe da meta de 5,9.

Na comparação dos dois anos, a cidade ganhou apenas 13 alunos, passando de 217 para 230 nos anos finais do ensino fundamental, de acordo com o Censo Escolar. Ou seja, foram R$ 369 mil a mais injetados na cidade para praticamente a mesma quantidade de alunos. Mesmo assim, a nota caiu. Em Aspásia, a situação se repete. No ano de 2011, a cidade ganhou R$ 239 mil e tinha 92 estudantes no ciclo final da educação básica. Em 2013, foram recebidos R$ 369 mil e havia 104 alunos matriculados nos anos finais do fundamental. Mesmo com R$ 130 mil a mais, no ensino básico a nota no Ideb caiu de 5,1 para 5,0 e ficou ainda mais distante dos 5,6 colocados como meta pelo MEC.

“É óbvio que se o município recebeu mais e regrediu nas notas, algo está errado. A rede pública precisa de uma revisão para saber quais as principais dificuldades enfrentadas. Caso contrário, de nada adianta investir”, diz o professor José Marcelino de Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo (USP). Para o professor, que é especialista em políticas educacionais, mesmo com a revisão, é preciso investir mais, porém de maneira correta. “O aumento é pouco se olharmos ano a ano. Por isso a educação não tem um salto de qualidade e as notas oscilam muito. Com um investimento maior, seria possível ter melhores professores”, explica.

Desvalorização

“No meu tempo, lecionava com giz, lousa e apagador e o ensino tinha qualidade. Hoje, com tantos recursos, não tem”. A frase é da coordenadora regional da Apeoesp, Alaíde Nicoletti Pinheiro. Na opinião dela, o recurso da educação é gasto de maneira errada. A educadora afirma que o ensino público não tem bons índices porque o governo investe em equipamentos, mas desvaloriza os professores. “Eles ficam maquiando essa situação com bônus, mas isso não adianta. Hoje, os bons profissionais não querem trabalhar na rede pública”, disse.
A coordenadora da Apeoesp ainda diz que é preciso mudança no sistema de progressão continuada. Para ela, o método faz com que o aluno não se esforce e com que os professores fiquem desmotivados.

Vai para salário, diz Estado

Embora a legislação do Fundeb preveja que pelo menos 60% do valor do recurso deve ser utilizado para pagamento de salário de professores e o restante pode ser gasto com despesas gerais do ensino fundamental, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que o repasse do Fundo é empregado exclusivamente para a folha de pagamento de professores e demais servidores.

A pasta informa ainda, por meio da assessoria de imprensa, que o Estado investe 30% de seu orçamento na Educação, seguindo as orientações do Fundeb. Quanto ao aumento de repasse por município, os valores são calculados pelo Ministério da Educação com base no Censo Escolar, com o número de alunos de todos os níveis de ensino. A Educação de São Paulo disse ainda que, das 69 cidades que tiveram o Ideb analisado pela reportagem, com exceção dos 12 municípios em que o ensino é municipal, em mais de 75% das cidades a rede estadual garantiu índice considerado “bom”.

A secretaria acrescenta que possui um “currículo oficial unificado em todas as escolas estaduais, que os alunos recebem o caderno do aluno – material de apoio pedagógico bimestralmente –, assim como os docentes contam com o caderno do professor”. Além disso, os estudantes da rede estadual de ensino são constantemente avaliados, recebem boletins escolares bimestralmente e contam com duas modalidades de recuperação. DiarioWeb

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