Enfermeiro de Rio Preto será voluntário para receber a Coronavac

De seus 38 anos de vida, Eder Aparecido dos Santos já dedicou 13 à área da saúde. O enfermeiro e gestor do polo da Cenemed em Rio Preto, do Grupo Cene, conta que nunca viveu algo parecido na profissão como a crise causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que já matou mais de 170 pessoas na cidade e milhares no Brasil e no mundo.

Para o enfermeiro, a doença trouxe grandes impactos, não somente no trabalho, mas na vida pessoal – o medo de contaminar pessoas próximas e aqueles que ele mais ama, como a filha Rafaela, de apenas 4 anos, que ele não encontra pessoalmente desde o início da pandemia, no final de fevereiro deste ano.

“É um vírus invisível que não avisa quando chega, por isso todo o cuidado é pouco. Não somos imunes ao vírus. Estou com muita saudade e estou perdendo uma fase da vida dela que não volta mais.”, desabafa.

Atuando diariamente na linha de frente no combate ao coronavírus, Eder está a um passo de subir mais um degrau no patamar de herói: ele se cadastrou como voluntário para a fase 3 da Coronavac, vacina contra a Covid que está sendo desenvolvida em parceria pelo Estado de São Paulo e a empresa chinesa Sinovac.

As 20 mil doses que serão aplicadas em 9 mil voluntários no país desembarcaram nesta segunda-feira (20), no Aeroporto de Guarulhos. Em Rio Preto, a Famerp vai receber parte das doses e vai administrá-las na pesquisa com os voluntários, que serão acompanhados no período de um ano.

“Quis ser voluntário para ajudar. Quanto mais nos unirmos para descobrir a vacina, mais rápido chegaremos aos resultados. Espero que esta vacina ajude muitas pessoas e que traga a normalidade do dia-a-dia para todos”, diz.

Para o enfermeiro, o drama de atuar na linha de frente é grande. “Não estamos imunes ao vírus. A maioria dos profissionais da área da saúde se afastou dos familiares, amigos, filhos, avós, para não transmitir o vírus para eles. Por este motivo mantemos o distanciamento – o profissional acaba se isolando de tudo e de todos”, conta.

“Todos estamos preocupados como os amigos da área da saúde que estão ficando doentes ou que já não se encontram mais entre nós hoje”, afirma Eder. Dos mais de 6 mil casos confirmados da doença em Rio Preto, quase 900 positivados são da área da saúde. Destes, 4 que atuavam na cidade tiveram a vida ceifada pela Covid – as últimas delas foram as enfermeiras Ana Cláudia Soler, de apenas 34 anos, que atuava na Unimed, e Joceli Oliveira, de 48 anos, que trabalhava na Santa Casa.

“A realidade sobre este vírus é que o povo está levando muita na brincadeira, achando que não é nada sério. Muitas pessoas não sabem o que vemos dentro dos hospitais”, alerta o enfermeiro.

Otimismo

As 20 mil doses vão ser agora distribuídas em 12 centros de seis estados –São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Distrito Federal. ​

Entre os centros que vão receber as doses está a Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), que irá aplicar a vacina em profissionais da saúde que não foram contaminados pelo coronavírus.

As primeiras doses serão aplicadas na terça (21), em profissionais selecionados no Hospital das Clínicas de São Paulo. Depois disso começam os testes em outros centros.

Mais de um milhão de pessoas acessaram a plataforma de inscrições lançada pelo governo de São Paulo para recrutar os voluntários, todos da área de saúde.

Os cientistas do Instituto Butantan estão otimistas. A vacina chinesa é uma das que está em fase mais adiantada de testes.

A previsão é que em dezembro já se tenha uma conclusão definitiva sobre a eficácia dela. Se tudo der certo, os grupos prioritários, como idosos, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde, poderão receber a vacina no Brasil já no primeiro trimestre.​

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