qua, 12 de agosto de 2026

Em reconstituição, professora diz que filho ajudou a enterrar namorado dela em quintal de casa no interior de SP

Jussara Fernandes, de 62 anos, está presa desde 24 de outubro, após confessar que matou Alex Sandro, de 21 anos. Polícia também tentou reconstituir morte de Walter Gilmar, ex-marido da professora que foi achado morto dentro da piscina, mas ela se negou a cooperar.

A Polícia Civil de Bebedouro (SP) fez nesta quarta-feira (5) a reconstituição da morte de Alex Sandro da Silva Rocha. O trabalho começou por volta das 9h, na casa da professora de estética Jussara Luzia Fernandes, de 62, que confessou que matou Alex a tesouradas e enterrou o corpo do jovem no quintal. Ela está presa desde 24 de outubro.

Os policiais também iriam reconstituir nesta quarta a morte de Walter Gilmar de Pádua Carneiro, ex-marido da professora que foi achado morto dentro da piscina no mesmo imóvel, no bairro Eldorado, em janeiro deste ano. No entanto, a mulher se negou a cooperar, o que inviabilizou o procedimento.

Além da Polícia Civil, equipes da Guarda Municipal e a própria Jussara participaram da reconstituição da morte de Alex, que durou cerca de duas horas.

Segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, durante os trabalhos, a mulher alegou que contou com a ajuda de um filho para enterrar o corpo. A versão, porém, não é confirmada pela polícia.

“A reconstituição serve para ilustrar a versão das partes dentro do caso investigado. A reconstituição foi importante para verificar e confrontar a versão dela [suspeita], se é coerente e condiz com a realidade do caso concreto. Estamos diante de uma vítima alta, com peso, do Walter, de 90 kg a 100 kg. A reconstituição ilustra a versão dela e pode concluir se era capaz de ter acontecido aquilo que ela alega que aconteceu”, disse o delegado João Vitor Silvério.

O delegado Maurício Vieira Silva, por sua vez, investiga a morte de Walter e destacou a recusa da mulher em dar detalhes do caso à polícia.

“Instauramos inquérito policial que está sendo feito, a fim de apurar os fatos realmente como ocorreram, devido a acontecimentos posteriores que aconteceram. Hoje fomos fazer reconstituição. Na reconstituição do caso do Walter, ela se negou a fazer. Como era a única versão que tínhamos do caso, ela recusando, não tivemos como fazer a reconstituição”, pontuou.

Advogada das famílias das vítimas, Isabela Felloni desqualificou as alegações de Jussara. Na visão dela, as provas colhidas até o momento não condizem com o relato.

“A Jussara fez a reconstituição só do crime do Alex. Ela se negou a fazer do Walter. Ela não confessou o crime do Walter, então, para a defesa, não faz sentido participar da perícia d hoje. Em relação ao Alex, ela fala que seria uma motivação de agressões que ela vinha recebendo há muto tempo, mas as provas não sustentam. Ela não saiu muito do que já tinha falado na delegacia, mas não se sustenta o que ela fala.”

Laudo toxicológico e exumação

Além das constituições, a polícia solicitou o laudo toxicológico no corpo de Alex Sandro e também pediu autorização para exumar os restos mortais de Walter.

Mãe de Alex, Ivonete Ribeiro da Silva disse à EPTV, afiliada da TV Globo, que o filho vivia um relacionamento abusivo e Jussara era ciumenta e possessiva. Ela acredita que o jovem foi dopado antes de ser morto.

Jussara chegou a dizer à polícia que tentava se defender de Alex quando o matou. Ela deve responder pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver, de acordo com a polícia.

A morte de Walter passou a ser investigada após o caso envolvendo Alex Sandro. Isso porque a filha de Walter afirma que o pai apresentou piora no estado de saúde nos dias que antecederam a morte dele, com quadro de vômito e sonolência.

O caso de Alex

Segundo a Polícia Civil, Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, foi morto entre a noite e a madrugada dos dias 21 e 22 de outubro, na casa que vivia com a professora de estética Jussara Fernandes, de 62.

Depois de uma denúncia anônima, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) foram ao endereço da professora com a polícia e questionaram a moradora, que primeiro negou qualquer crime.

Os agentes perceberam a terra remexida no quintal e questionaram a professora, que disse que era para enterrar um cachorro. Ela acabou caindo em contradição e confessou que tinha matado o companheiro. Ao revirar a terra, os policiais identificaram o corpo de Alex, retirado pelos bombeiros.

À polícia, Jussara contou que o namorado tinha comportamento agressivo, com histórico de agressões contra ela. Eles estavam juntos há cinco meses e moravam na casa dela.

Na noite em que Alex Sandro foi morto, os dois discutiram e ele teria pegado uma faca para ameaçá-la, segundo a professora de estética. Ela também contou à polícia que chamou um conhecido e pagou a ele R$ 50 para abrir uma vala no quintal, com a justificativa de que ela serviria para enterrar um cachorro de grande porte.

Jussara foi presa em flagrante após confessar o crime. Segundo o delegado João Vitor Silvério, Alex levou pelo menos 40 golpes de tesoura.

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