Em fuga, preso faz ‘racha’ na contramão

Um preso que cumpre pena no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Rio Preto e sai regularmente para atuar como contratado das frentes de trabalho da Prefeitura espalhou perigo nas principais ruas centrais da cidade ontem de manhã. Renato Fragoso Júnior escapou do serviço, foi furtar usando um carro roubado e acabou perseguido pela polícia desde a região do Hospital de Base até à rodoviária. Junto com ele, no carro, estava a mulher dele, grávida de cinco meses.

A perseguição começou na avenida Faria Lima. O acusado desceu para a avenida José Munia, onde dirigiu na contramão por alguns quarteirões rumo à avenida Alberto Andaló. A partir daí, entrou na mão correta em alta velocidade e seguiu até à rua Pedro Amaral, passando em frente à rodoviária e virando à direita, na rua Bernardino de Campos, sentido Praça Cívica, entrando para a plataforma de embarque e desembarque de passageiros de ônibus.

Ao entrar na plataforma, o fugitivo bateu o carro numa sarjeta. De acordo com o tenente da Polícia Militar (PM), Vinícius Ferrato Floriano, “depois que ele bateu o carro o pneu direito estourou e ele fugiu a pé. Fomos atrás dele e o pegamos dentro de um comércio no Centro”. Fragoso Júnior cumpria pena em regime semiaberto no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Rio Preto por latrocínio – e roubo seguido de morte. Com ele, a polícia encontrou R$ 5.894, uma arma falsa – o simulacro de uma pistola -, seis relógios e nove aparelhos de celular.

O carro usado nos roubos também era roubado e as placas apontavam outro veículo. “Ele estava dirigindo um Gol prata, mas as placas eram de um Gol branco”, afirmou o tenente. O delegado Marcelo Parra, da Central de Flagrantes, classificou o crime como roubo e decretou a prisão de Fragoso em flagrante. “Pelo que já conseguimos apurar ele participou de pelo menos cinco roubos e duas tentativas. Todas as vítimas passaram as mesmas características de Renato e do carro”, afirma.

Uma das vítimas que não quis se identificar é uma idosa de 74 anos. Ela teve o carro roubado no dia 9 de dezembro em frente ao Hospital de Base. De acordo com o sobrinho dela, que estava na Central de Flagrante, a idosa foi abordada por um homem com as mesmas características. “Ele a ameaçou com uma faca, pediu para ela descer do carro, entregar as chaves e ir embora. Desde então não tínhamos mais notícia do carro”, afirmou.

A mulher do preso chegou a ser detida, mas foi liberada pelo delegado Marcelo Parra. De acordo com ele, a mulher disse não saber que o marido praticava roubos e ela não teria participado das ações. “Pelo depoimento dela e pelas provas que colhemos não há envolvimento direto dela nos crimes. Ainda vamos investigar mais a fundo, mas não temos motivo para mantê-la presa”, afirmou o delegado.

Já Fragoso foi encaminhado para a cadeia de Catanduva e depois será transferido para do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto, onde ficará até o julgamento.

‘Sumiu’ na hora do almoço

Pelo menos 38 presos do CPP prestam serviço em frentes de trabalho para a Prefeitura de Rio Preto atualmente, por meio do convênio com o Estado. Todos são monitorados por profissionais da Prefeitura durante o trabalho. A Prefeitura afirmou que o reeducando desapareceu do serviço terça-feira, na hora do almoço, sem que ninguém percebesse. Os reeducandos atuam nas secretarias de Saúde, Serviços Gerais, Obras e do Trabalho. Os presos, que fazem parte do programa do governo do Estado “Pró-Egresso”, recebem uma bolsa auxílio de R$ 395 e trabalham por até seis horas por dia, quatro dias por semana. No quinto dia os presos recebem aulas de capacitação.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária informou que foi instaurado procedimento disciplinar e o fato foi comunicado ao juiz da Vara das Execuções Criminais. A nota informa ainda que devido a infração o preso deverá retornar ao regime fechado.

‘Ele acelerava cada vez mais’

“Eu estava com muito medo, não sabia o que estava acontecendo quando meu marido começou a entrar pela contramão nas avenidas. Eu pedi para ele parar (o carro) várias vezes, mas ele não me ouvia e acelerava cada vez mais”. O relato é da mulher de Renato Fragoso, grávida de 5 meses, de um filho dele. A mulher, que pediu para não ter o nome revelado, afirmou não saber que o marido estava praticando crimes.

“Nós saímos hoje (ontem) de manhã e ele disse que ia no banco, depois parou em outro lugar e disse que era rápido. Quando voltou percebi que a polícia estava seguindo a gente”, conta a mulher. “Ele dizia que os celulares eram de amigos que pediam para arrumar algumas peças. Dizia que os relógios eram comprados por ele e que o dinheiro era pelo conserto desses objetos”, disse ela, enquanto chorava na delegacia.

A mulher conta que estava casada com Renato fazia seis meses e há cinco engravidou. “Eu estava morando em Portugal com minha mãe e irmão. Trabalhava lá em um shopping, voltei para Rio Preto e uns amigos nos apresentaram, nós namoramos e decidimos casar. Agora não sei mais o que vou fazer, tenho um filho na barriga e cuido da mãe dele, que é idosa”, afirmou com lágrimas nos olhos. Victor Augusto/DiárioWeb

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