Elétricos da Renault empolgam, mas são presente distante

Ainda distantes do consumidor brasileiro por causa do preço, os carros elétricos ainda têm no País uma imagem ligada a “ecochatos”, aqueles defensores da natureza que são contra diversão, segundo definição imaginária do termo pejorativo. Tentando acabar com o preconceito, a Renault trouxe ao Brasil quatro modelos da gama ZE (Zero Emissions) e mostrou que é possível ser “eco” sem ser chato.

 

O mais interessante deles é o compacto Zoe. Pensado inteiramento como um modelo elétrico (não existe versão movida a combustão), o modelo foi lançado em 2012 com a intenção de popularizar os elétricos e chegou às lojas em março deste ano na Europa. Vendido por 13,7 mil euros na França, com incentivo de 7 mil euros do governo, ele leva quatro pessoas e tem autonomia para percorrer 210 km.

 

Testamos o Zoe por alguns minutos um uma pista do Velopark, em Nova Santa Rita (RS). Embora a distância tenha sido pouca, foi possível perceber que o motor elétrico de 88 cavalos de potência surpreende e dá certa emoção, mesmo sem emitir barulho algum. O torque de 22,4 kgfm é mais que o dobro, por exemplo, do Novo Clio, que quase a mesma potência (80 cv) e 10,5 kgfm de torque.

 

Com isso, o Zoe responde bem rápido ao pisar no acelerador e vai de zero a 100 km/h em 13s, segundo a fabricante. Na pequena pista utilizada para corridas de kart, aceleramos sem dificuldade até 90 km/h – a partir daí fica mais difícil evoluir, já que a velocidade máxima é de apenas 135 km/h. O interior é “clean” e aconchegante, com painel digital que mostra de forma simples quanto o carro ainda pode andar com a carga de bateria.

 

Nos seus primeiros três meses de vida, foram vendidas cerca de 6 mil unidades do Zoe na Europa, mas ele ainda é um futuro distante para os brasileiros. De acordo com a fabricante, apenas depois de 2016 as opções alternativas de motorização devem ganhar alguma representatividade no País, contando que até lá o governo federal regulamente incentivos para importação e desenvolvimento dessas tecnologias.

 

Enquanto isso, o preço de aquisição é praticamente proibitivo. O Zoe custaria nada menos que R$ 210 mil no Brasil – valor que cairia para cerca de R$ 80 mil, caso o governo federal abra mão de tributar este tipo de tecnologia que ainda não é contemplada no regime do Inovar-Auto. De acordo com a CPFL Energia, que adquiriu o primeiro Zoe do Brasil para um projeto experimental em Campinas (SP), o custo para andar com o carro ficará em torno de R$ 7 para cada 200 km percorridos. A empresa de energia montará uma infraestrutura local com postos de recarga e está a procura de outras empresas que queiram participar do estudo de viabilidade dos elétricos no País.

 

Gama completa
O modelo elétrico da Renault que talvez tenha vida mais complicada no Brasil seja o Twizy. Chamado de city car, ele é uma espécie de quadriciclo que leva até duas pessoas, equipado com motor de desenvolve o equivalente a 17 cavalos de potência. Na Europa, existe até uma versão modificada para servir como veículo de entregas. Para entrar, a porta desliza para cima e o habitáculo abriga bem uma pessoa – o segundo passageiro pode ir encaixado atrás do motorista, não muito confortável.

Para sair dirigindo, basta rodar a chave e acionar o botão “Drive” à esquerda do volante. A primeira resposta do Twizy é um pouco lenta, mas ele embala até os 45 km/h de velocidade máxima e tem autonomia para percorrer até 100 km com uma carga de bateria. Na pista, o veículo é ágil e parece apropriado para distâncias curtas. A preocupação para uma adaptação no Brasil seria a condição ruim das ruas brasileira, já que ele sofre com pequenos obstáculos e ondulações na pista.

 

De acordo com a Renault, o Twizy é atualmente o modelo elétrico mais popular da marca, com aproximadamente 11 mil unidades vendidas desde o início de 2012. Na Europa, ele é comercializado por 7,9 mil euros, mas custaria cerca de R$ 60 mil no Brasil sem possíveis benefícios tributários. A Renault acredita que o valor cairia para algo em torno de R$ 28 mil e R$ 32 mil com os incentivos.

 

Completam a gama de veículos elétricos o Kangoo  e o Fluence ZE. Ambos os modelos receberam propulsores elétricos e se mostram bem adaptados. O furgão foi o segundo modelo adquirido pela CPFL Energia e será usado pela empresa em Campinas. Já o Fluence mostra que um carro elétrico pode ser grande. Com motor de 95 cv, o sedã acelera a 100 km/h em 13s7 e tem velocidade máxima de 135 km/h. Se o modelo “regular” do Fluence já não é reconhecido pela esportividade, o elétrica fica ainda mais longe. No entanto, a direção e o interior são bastante confortáveis, o que o coloca como uma boa opção para empresas que queiram dar uma imagem “moderna” aos seus executivos.

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